Sábado, 20 Novembro 2021 19:03

PRECONCEITO

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                   UM MURO ENTRE AS PESSOAS
 
 
 
 
 
                    O dia 20 de novembro é definido como o Dia da Consciência Negra. Mas o que isso realmente significa? Para entender, devemos entender melhor sobre racismo e escravidão.
                    O preconceito de cor é um dos atos mais estúpidos de que o ser humano pode ter. Mas porque ele ocorre? O que leva uma pessoa a julgar uma pessoa inferior apenas pela cor de sua pele?
                    Podemos apontar antes de tudo que o racismo não tem uma relação imediata com a escravidão, muito embora as duas coisas acabaram se reunindo.
                    Devemos então tomar duas linhas de pensamento: a) a raça negra e b) a escravidão.
 
 (a)
 
                   A evolução de pele escura é intrinsecamente relacionada com a perda de pelos do corpo em humanos em sua evolução. Há 1,2 milhões de anos, todas as pessoas tinham a mesma proteína receptora dos africanos de hoje, sua pele era escura.
                    Daí se justifica a adjetivação de estúpido o preconceito de cor, pois TODOS descendem de pessoas com a pele negra.
                    Ter a pele negra nos trópicos era uma questão de sobrevivência.
                    O câncer de pele decorre da radiação ultravioleta, causa mutações na pele e é menos comum entre pessoas com pele mais escura do que entre aqueles com pele clara. A pele escura impede, ainda, que a vitamina B, o ácido fólico, seja destruído.
                    Mas a humanidade migrava para o norte, regiões com menos sol.
                    A pele escura deixa de ser uma vantagem, pois impede que a luz solar penetre na pele, dificultando a produção de vitamina D3. Portanto, a migração para regiões onde a luz solar é menos intensa, os baixos níveis de vitamina D3 se tornaram um problema.
                    O organismo para adaptar-se aos baixos níveis de luz solar, foi baixando a produção de melanina e a pele se tornando quase incolor, para expor os vasos sanguíneos dando a cor pálida roseada de pessoas brancas.
                                     A existência de pessoas brancas é agora considerada como ter sido causada por uma mutação em apenas um gene de 3,1 bilhões de genes do DNA.
 
 (b)
 
                    O europeu do século XVI não pode ser chamado de racista na melhor acepção da palavra, embora escravocrata. Na verdade, ele teria escravizado qualquer pessoa de qualquer cor de pele se isso lhe fosse conveniente comercialmente.
                    Pesquisadores estimam que, no auge econômico de Lisboa, no século XVI, um décimo da população da capital portuguesa era composta por negros. E eles estavam inseridos na sociedade, ocupando diversos papéis entre eles havia negros que atuavam como respeitados cavaleiros e, principalmente, com funções comuns da sociedade.
                    Ainda que certas teses defendam que a escravidão dos africanos partiu de inciativa dos europeus, essa não é provavelmente a verdade. Há indícios suficientes para se acreditar que na África já se praticava a escravidão entre as tribos. Os europeus a maximizaram.
                    Sua origem está relacionada às guerras e conquistas de territórios, onde os povos vencidos – de qualquer cor de pele - eram submetidos ao trabalho forçado pelos conquistadores.
                    Os egípcios da Antiguidade escravizaram os judeus, enquanto os Romanos escravizavam pobres, bárbaros e criminosos, muitas vezes sem distinção étnica (entre os séculos I e V, a maioria dos escravos eram nascidos na Itália).
                    Depois da queda do Império Romano, foi mais uma questão de cristãos contra muçulmanos: uns escravizando os outros, de acordo com o domínio que possuíam.
                    A escravidão existe desde o início da história humana, mas só atingiu uma escala industrial quando colonos europeus levaram à força 12,5 milhões de africanos para a América. O resultado desse processo é que, pela primeira vez, a cor negra da pele se torna sinônimo de sujeito escravizado.
 
 (a + b)
 
                   Nunca na história das escravidões alguma delas alcançou tal marca o que leva a ser feita a ilação de negro = escravo, temos aí sim, o nascedouro do preconceito de cor da pele.
                    Para justificar essas ideias o racismo contou com uma origem pseudo-cientificista, isto é, ele se originou a partir de determinadas teses de cientistas europeus do século XVII, sobretudo médicos e antropólogos, que usaram de seus conhecimentos para elaborar doutrinas raciais.
                    Um dos procedimentos utilizados por esses médicos consistia em medir o tamanho do crânio de indivíduos de “raças” diferentes. Os crânios maiores, que supostamente comportavam mais massa cerebral, eram um indicativo de superioridade racial.
                    Uma estupidez, pois se fosse assim o rei da floresta seria o elefante com seu cérebro de 6 quilos. Tenham estas duas coisas em mente: você descende de negros; em outras circunstâncias você é que poderia ser escravo.
                    As mais absurdas teses foram sustentadas para justificar o injustificável: a escravidão. Na Europa, coube aos papas da época essa tarefa. Em uma das bulas sobre o assunto, Nicolau V deu ao rei de Portugal permissão para invadir, buscar, capturar e subjugar os “pagãos” da África.
                    A derrocada do tráfico negreiro começou em 1807, quando a Inglaterra aboliu o tráfico pelo Atlântico, medida seguida por França, Holanda e Espanha e depois pelos países latinos.
                    O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea, quando a pressão internacional já era insustentável.
                    Mas parece que estamos precisando fazer uma “segunda abolição”. É hora de abolir o preconceito.
                    Os escravos alforriados não tinham dinheiro, bens ou propriedades e passaram a integrar as classes mais pobres da sociedade sem acesso à educação, saúde e, por consequência, a empregos decentes.
                    Enquanto não tivermos uma política inteligente para reparar o fato não da escravidão, pois essa já foi resolvida. Porém sim consertar a forma como terminamos com ela. Foi como lançar todas essas pessoas nas arenas romanas para lutar com leões desarmadas.
                    Precisamos demonstrar cabalmente a tolice do racismo: mesmo o mais europeu de nós também é descendente de negros; oferecer educação de qualidade aos pobres desde os ciclos básicos; mostrar às pessoas que muitas coisas que você gosta provém de pessoas negras; educar nossos filhos em casa, ensinando o respeito ao próximo seja ele com qualquer quantidade de melanina na pele.
                    Somos todos uma única raça: a raça humana! Então que tal parar de segregar pessoas por conta de 1 único gene e pela quantidade de melanina que esse gene faz o organismo produzir. Saibam que todos os outros 3.130.000 de genes são bastante iguais. Nos poupem!
                    Os negros são iguais a todos e não precisam de favores, mas de oportunidades, já que são tão competentes como qualquer um. Não querem vingança, querem sim é JUSTIÇA.

 

                    

Lido 49 vezes Última modificação em Sábado, 20 Novembro 2021 19:43

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