Quinta, 09 Setembro 2021 18:36

Coluna da Maria Luiza 19 - Onde mora o rei do novo Cangaço?

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Onde mora o rei do novo cangaço?

 

O menino não foi para a escola. A mãe não foi trabalhar. A emergência médica lotou. A família do policial ajoelhou, orando pelo seu retorno. O prefeito foi à televisão. As ruas foram interditadas. Os moradores tremiam de pânico e na urgência de noticiar em primeira mão, lotaram grupos de mensagens instantâneas e redes sociais.

Aconteceu um estrondoso ataque à agências bancárias na cidade. Mais de cinquenta bandidos envolvidos na operação. Recursos de última geração. Fuzis, metralhadoras, dinamite, e até drones.  Escudos humanos. Assassinatos e mutilação de eventuais passantes.

 Guerra no meio da noite. Articulada, estudada, financiada.

Síntese do horror no Brasil do século 21. Acontecimento melhor relatado por repórteres e jornalistas, com certeza.

E aquela fagulha mais profunda de mim, não apaga nem descansa. Me traz viva a história do romance FESTA NO COVIL, escrito pelo mexicano Juan Pablo Villalobos.

E me pergunto: Onde mora o Rei do Novo Cangaço?

A quem servem os homens-bomba que vão ao front? Que se dispõem a morrer?

Que depois do crime fogem pela mata e são caçados feito animais ferozes?

De onde vem carros blindados utilizados no ataque? Carros de luxo usados para transportar o resultado do roubo.

Qual o quinhão que levam os quarenta ou cinquenta homens da operação, caso sobrevivam e não forem parar em presídios de segurança máxima?

Ah, tem o informante também!

Qual o quinhão da equipe tática? E da equipe estratégica?

Qual o quinhão destinado aos donos do poder?

E o imperador?  Comprará hipopótamos anões da Libéria para seu filho, como narra a ficção do mexicano Juan Pablo?

Qual a real finalidade do vil metal (que não é mais metal)?

Perguntas que não querem calar. Não encontro respostas, mas sou levada a refletir profundamente, além do raso “Glória a Deus, nos salvamos dessa!” que leio nos grupos de Whatsapp.

O banqueiro assegurou seu cofre. A seguradora providenciou o resseguro. Estes jamais perdem, mesmo que “a casa forte” tenha sido dinamitada.

O passante deixou família órfã. Bandidos e policiais se confrontam como feras humanas.

Passados alguns dias, irão serenando as notícias.

O rei em algum lugar, fumará charutos, misturando fumaça e gargalhadas a céu aberto.

E assim caminha a humanidade!

Eu, refletindo, escrevo para não enlouquecer!

 

Por Maria Luiza Kuhn

agosto 2021

 

Lido 78 vezes Última modificação em Quinta, 09 Setembro 2021 21:06

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