Segunda, 27 Dezembro 2021 23:07

Inquietude

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Não escutarás de mim as sílabas sombrias e inquietas
Porque me disfarço de eternidade nestas horas rasas
Para, sorrateiro, beijar tuas asas como a ardente seta
Com que Eros tocou-me de ti na insônia das estradas
E assim fiz um céu construído a fogo, almíscar e mel
Cheio de estrelas bêbadas do teu canto, meu sorriso
 
Não verás minha vida e morte embebida de cotidiano
Nem terás esta saudade embriagada num sonho irreal
Farei que tudo mude, mas que conserve a tonalidade
Do homem que sempre quis sonhar, sem fugir do real
Sem o sonho governar o ser, na intensidade da razão
Olhar, pensar, depois de tudo, quedar-me subjugado
 
Não sentirás meu rosto úmido das lágrimas chovidas
Que, todavia, não esquivarão do espelho inclemente
O amor não é o sobrenatural nem algo de miraculoso
É o sentimento que deve fluir sem esforço, igual flor
Que não precisa de esforço para exalar seu perfume
E um dia perfazer a promessa de ser fruto e semente
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