Sexta, 26 Novembro 2021 21:23

Memórias ao Varal

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É manhã neste dia transparente, as roupas brincam no varal
No meu pomar de saudades parecem que estão a me acenar
Com uma brancura despreocupada, seu brilhar salta à vista
No frescor do linho matinal, brota uma babel de sensações
Revelando-me a imagem de minha intocada e recatada musa
No olhar de tempos antigos, quando vivia em outros quintais
Invejava a roupa a balançar ao vento, resvalando seu corpo
Qual carícias insuspeitas de abraçá-la como eu queria estar
Era bela, frágil, quase assustada, com seu sorriso de cristal
Eu a admirava sem pecado numa estima distinta dos corvos
Ah, esses eram tantos e tão plenos de recursos, só a rodear
Faziam-me sentir miserável por não acha-la ao meu alcance
Mas certo dia, soberbo dia, ela com seu vestido todo branco
Uma fita nos cabelos, passou ao meu lado, olhou-me e sorriu
Com sua elegância esbelta, ela me fez nesse instante levitar
E subitamente o sol, dono de todas as cores, coloriu a vida
Mas o nosso destino não enveredou os mesmos caminhos
Assim, aquela deusa pulsante deixou a esfera do meu olhar
O aconchego de sua beleza hoje reside apenas no passado
Retrato de dias que só as linhas do poema fazem renascem
Lido 116 vezes Última modificação em Sexta, 26 Novembro 2021 21:40

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