Sábado, 20 Novembro 2021 20:12

Poema Perdido

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Este poema perdido na tarde se perfaz no que eterniza
Suas figuras simulam a vida real em ritmo e em pulsação
Cada verso escrito jamais voltará qual signo inescutado
Nos lábios do vento, ferindo a mansa tristeza do silêncio

Sigo na busca dos gestos esquecidos, do fogo da aurora
Desse teu corpo de lágrimas e louvores ao som da flauta
Do real iluminado na visão deste voo, transpondo limites
Do rumor poético das palavras o poema perdido nascerá

A espécie fugaz dessa nua essência deleita o pensamento
Que me traz o brilho da noite para incendiar os segredos
Como quem transpõe o espelho para ser a própria imagem
Tornar-se avatar de um sonho numa infância interminável

O poema perdido escreverá, não por mim, todas memórias
Mesmo anônimas ou esquecidas, pela dimensão do abismo
Nessa pulsação da alma imortal que o alimenta no espaço
Transmutado em pássaro retorna ao pouso de onde partiu



O fulgor de teus olhos rasga minha eterna noite interior
És clarão e abismo, és meu equilíbrio de real e de sonho
Minha porção de humanidade, soma do finito e infinito
A figura despertada na própria fábula tal centelha viva

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