Quinta, 18 Novembro 2021 16:59

Invisível

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Os dias vão-se rolando tal qual pesados barris viscosos
No jardim sigo um caminho castanho entre as floreiras
Abelhas sonolentas vão de flor em flor a beijar o polem
O silêncio se acomoda entre ramos agitados pela brisa
 
Assim que desisti das lutas, dos embarques e partidas
Escolhi a terra sob meus pés por outros fundamentos
Nada partiu de meus lábios sobre porquês de escolhas
Ah, tão e quão pesadas são as teias que nos envolvem
 
Respiro este ar tão denso como quem bebe água turva
Os ventos vespertinos arrefecem as areias escaldantes
Agora que o sol marcha no seu arquear rumo ao ocaso
Deitando seus últimos raios entre alamedas de videiras
 
Mais leves são as pedras da estrada que dizer teu nome
Que me é uma estampa dolorida na parede da memória
A suscitar lembranças de tempos tão rudes, tão simples
O vinho oxidado se fez vinagre e nem fizemos perceber
 
O ontem se foi num lento turbilhão sem marcas na terra
Lograrei eu me eximir do fardo do mover-se dos tempos
Caminhar ereto, livre do tédio, enquanto os cães ladram
Não importa o bem que se faz, ninguém te vê, entendes?

 

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