Segunda, 11 Outubro 2021 22:43

O dia em que morri

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Em meio ao silêncio, eu ouvia os passos da enfermeira no corredor
Havia o som distante de uma conversa, quando os passos se foram
Noite alta, no meu quarto lá estava ela vestida de negro a me fitar
Não fosse a enviada da morte, diria que seu rosto era quase sereno
Ninguém ao redor, um mesmo nó na garganta que impedia de gritar
Antes me impedira de respirar e meu coração parou, então ela veio
Com suas longas unhas, seu sorriso de enigma, ela seguia a me fitar
Sempre soube que ela viria me buscar, mas não tão cedo, não agora
Na minha mente se passava um turbilhão de imagens preto e branco
Era a minha história passada como um filme que eu não podia parar
E ouvia todas as vozes do passado, os conselhos que nunca escutei
Ela ficou a me fitar, impassível, comecei a caminhar na sua direção
Todas as imagens que surgem dentro de mim estão tingidas de cinza
Minha alma e mais ninguém sabe ao certo o que de fato me conduz
Eu sabia o tempo todo que viria o dia que as sombras iam me rodear
Todo inferno que eu vi ainda me limita, toda dor ainda me completa
Um mundo passou por mim esse tempo e eu assistia do lado de fora
Mas, a luz de uma pequena estrela brilhou no fundo do meu coração
Assim, ela desviou o olhar e eu vi dentro de mim meu verdadeiro eu
E de alguma forma decidi claramente por deixar o passado para trás
E eu aceitei a nova vida e agora eu vejo no que me tornei de melhor
Toda raiva se foi, toda angústia. Enfim despertei para o que é viver

Nenhuma mágoa, nenhum ato sem perdão, nenhuma discórdia vale a
pena nesta vida. A morte não vem antes da hora, você saberá quando.

Lido 49 vezes Última modificação em Segunda, 11 Outubro 2021 22:53
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