Segunda, 30 Agosto 2021 13:42

A procura

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Não é para lua ou as estrelas que me dirijo ao te procurar
Nem para outro mundo distante de intrincados caminhos
Eu te procuro no espaço vazio da silhueta de meus abraços
Mas tu escapaste entre meus dedos qual areia do deserto
Deixando tantas páginas em branco e poemas não escritos
Já imaginei te buscar entre as gotas do orvalho das manhãs
Mas o sol se abrevia, as dissolve e leva também tua imagem
Quando olho ao oriente, onde se deita o sol, só vejo vazio
Deixando sua trilha de raios dourados espalhada pelo céu
E tudo é um enorme quebra cabeça de peças incompletas
É por isso que escrevo aos ventos, nesta solidão pacífica
Enquanto a brisa sussurra e repete teu nome gentilmente
É esta busca que me nega o conforto do sono nas vigílias
Enquanto meu coração, tolamente, segue na tua direção
Minha mão que busca teu toque, minha boca busca a tua
Sinto-te. Não sei se é teu olhar ou a respiração, mas sinto
Diz-me o porquê essa aura glacial se instalou em teu peito
Porque te olvidaste dos sonhos e renunciaste ao romance
Sei que toda espera é dolorosa, mas esquecer o é até mais
Não faças de lembranças amargas uma porta para solidão
Então venha, senta-te ao meu lado, conta-me teu segredo
Fecha os olhos e por um minuto apenas deixe o amor fluir
Pois do outro lado do horizonte é dia e a vida recomeçou

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