Renato Baptista*

Renato Baptista*

Quarta, 31 Março 2021 21:22

Sobre Poemini

Poeminis

 

Escrevi certa vez um Mini-Poeminha. Este foi o primeiro de uma série que batizo de "POEMINI".
Muitos Poetas aderiram a este formato e hoje publicam "Poeminis" em vários Blogs e Sites.
As regras para se escrever Poeminis são as seguintes:

1 - O Poemini deve ser acompanhado de imagem / ilustração, que é o que o inspira. O poema pode estar dentro da imagem ou abaixo dela.

2 - Poemini não tem título, apenas numeração....o Título é a própria ilustração.

3 - A composição é feita por 2 versos com no máximo 12 sílabas poéticas no total.

Pode-se fazer uma sequência que conta uma história ou um pensamento, ou vários poemas sobre um tema, mesmo não existindo ligação direta entre os textos... só neste caso o Poemini deve ser identificado por um título (apenas uma palavra) e numerado.
Ex.: "Poemini - Sensação 01".

Pode haver dueto em forma de resposta... seguindo-se as mesmas regras do POEMINI.
Nunca o dueto deve dar sequência aos versos, senão os descaracterizam, e sim, ficar abaixo da raiz como resposta ao pensamento.

"POEMINI" é apenas um exercício de compactação do resumo da síntese de um sentimento momentâneo... mais um aprendizado.

Renato Baptista
Quinta, 01 Abril 2021 03:33

Poema do Desencontro

É como já ter o sol

Mas querer por querer

O lado oculto da lua

 

É como querer acertar o erro

Errar com acerto

E não querer esquecê-lo

 

É querer o desejo insano

Perseguir um sonho louco

E consegui-lo

Por não saber que era impossível 

 

É tocar, amar, sem sonhar

E se desmanchar na madrugada fria

Sem ter a mínima ideia

A menor certeza

Se a manhã será quente

E o pior, nem pensar nisso

Porque, ali, o agora é deus

Tão perto e tão longe...

 

É o abraçar sem alcançar

É o beijo sem fim... 

Por não saber se se tornará a beijar

É sentir o amor

Escorrendo entre os dedos

Longe dos olhos

E perto do coração

Mas os espíritos dançam,

Volitam felizes

Pelos cenários edênicos

Sorriem, gargalham

E já, já vão agonizar

Num ciclo sem fim

É como uma camisa linda sem botão

 

A gente veste, vive, ama

Mas se esconde nas encostas

Com medo do vento gelado

Tão perto e tão longe...

 

Podia ser diferente

Mas, se fosse, não o seria

É aquilo de escrever certo

Em linhas tortas

Ou o inverso

Que preenche esses versos

Que flutuam sem pressa

E iluminam a graça solene da ausência

(Nunca pensei que diria isso)

E É ASSIM...

 

Tão perto que me endoidece

Tão perto que aquece

Tão perto que está dentro de mim

E tão longe que até dói

Tão longe que já nem sei

Tão longe que já me deu saudade da saudade. 

 

Se em todas as esperas pudéssemos esvaziar a tristeza escrevendo linhas doces que saem direto do fundo do coração, as dores da vida doeriam menos... ficariam longe de estarem tão perto. 

 

 

 

 

Deduções

Sou minha vida

Sou eu... Sou meu... Sou ela toda

Que me soletra sem que eu peça

Sou poesia... Sou agridoce, ventania

Sou verdade, mentira... Serenidade e agonia

Sou palavras, sou versos... Sou livro aberto

Para que me leiam e sintam e percebam

Para que vivam em mim... Os meus amores

Que me fizeram ser... Tudo o que você sente

E que tenho certeza e dúvida... De que não me vê mais.

Segunda, 01 Março 2021 03:33

Desdobramento

Desdobramento

 

Ah, como sei...

O verão me iluminava

Brincando de sol

E me atordoava

(Era bom nessa arte)

Hoje, sou o que sinto

Reflexo do outono

Alma calejada

Punhos feridos

Mãos suadas

Cheias de meios sonhos

Em meios tons

Tons de cinza

 

E se a chuva me molhar?

- Tanto faz, secarei

Virei herói de mim mesmo

Sou todo cura

Num mundo doente

Que não é mais meu

 

O inverno se anuncia

Sobramos só nós...

Eu e meus pensamentos

Porque palavras

Ah, as palavras...

Essas não me afligem mais

Apenas voam, indo e vindo

Como as dores que me pertencem.

Sábado, 03 Setembro 2016 11:04

Saudade não tem Plural

 

Saudade...

 

Saudade não tem plural.

Eu descobri isso e dou viva,

Porque ela é algo tão grande

Que se fosse mais de uma,

Ninguém resistiria.

É uma coisinha que aperta,

Emudece, mata bem mortinho

Tudo o que sobrou da gente.

E todo mundo sente saudade.

Saudade da infância, dos brinquedos

Daquela casa bonita e atrativa

Onde a gente passava os Natais,

Dos passeios aos domingos,

Dos nossos avós,

Saudade daquela menina linda

Que não deixava a gente dormir...

De tanta saudade.

Eu tenho saudade...

Lembro-me do meu mundo

De tempos atrás.

Como era bom correr

Livre e despreocupado,

Esperar Papai Noel e

Cuspir de boca cheia na cabeça

Dos que passavam

Lá em baixo na rua.

É um devaneio.

A gente vai indo, indo, pensando,

Recordações e mais recordações

E aí bate aquela vontade enorme

De voltar no tempo

E começar tudo de novo.

Nesse retrocesso,

a gente esquece a realidade

e de repente um choque...

Estamos calados

Com a boca seca e

O peito apertado.

Foi ela...

...A sangrenta saudade

Está dilacerando o peito

E balançando a nossa cabeça.

E por fim, esboçamos um sorriso

No canto dos lábios e

A vida continua.

Daqui a pouco, ou

sei lá quanto tempo,

estarão sentindo saudade

de mim e de você.

Aí sim, a vida continuará

Guiada pela

Saudade plural.

 

Renato Baptista

 

Saudade é um substantivo abstrato, portanto não pode ser numerável...

Sábado, 03 Setembro 2016 20:10

Conte Comigo...

Quarta, 31 Agosto 2016 22:05

Apenas Poemas

Apenas Poemas

 

Nem ousem perguntar

Porque escrevo poemas

Simplesmente entalho versos

Usando palavras prontas

Invento um mundo

Traduzo o meu amor

Brigo e canto

Canto e brigo

Como um esgrimista

Da espada cantante

Não queiram saber

O porquê dos meus poemas

Eles nascem, gritam

Persistem e não morrem

Mas eles têm segredos

Sentimentos rebuscados

Buscados no fundo da minha alma

Que se expressam

Na minha brincadeira de poetar

Com palavras mágicas

Que se sucedem, compõem

Minha melodia imortal...

São meus poemas

E não queiram abraçá-los

Não os amem

Apenas deixem

Que eles os toquem

Sintam-nos

Mas deixem que eles sejam

Apenas poemas

Simples poemas.

 

Renato Baptista 

Quarta, 31 Agosto 2016 22:01

Capturando o Universo

Capturando o Universo

 

Só vivendo os minutos

Cada um deles

Imaginando o tamanho do tempo

Medindo a velocidade do vento

Rasgando paredes com as unhas

Uma vida assim é demais

Que se criem sonhos

Que o mundo dê colo

Que o amor prevaleça

Sempre

E sempre

E sempre

E se cada nuvem guardasse um tesouro

Eu iria querer que o céu fosse branco

E se cada estrela no céu tivesse um pouco de você

Eu iria capturar o universo e guardá-lo num beijo meu.

 

 

Renato Baptista