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Domingo, 30 Janeiro 2022 18:09

QUANDO CHEGA O AMOR!

Sem ter como expressar gratidão,

 

O bebê chora e grita, esperneia tanto!

É sua maneira de dizer: muito obrigado,

 

Pois foi por amor que cheguei até aqui!

Aflição é a razão de sua agonia, porque

Está a entrar num mundo desconhecido.

 

Aos poucos, mansamente, vai se libertando

Das algemas que o deixa assaz desnorteado

E começa, afinal, a entender a vida e o amor,

Por todos os lados só existe chamego e carinho.

 

Aí está o primeiro contato com o sentimento

Que vai burilar sua alma e torná-lo eloquente!

Através das experiências vivenciadas, aprende

Que somente o bem vale à pena...O perdão,

A humildade e a fraternidade são itens de amor!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

Publicado na categoria: Poesia

Qual a palavra que te define?

 

Enquadrar-se numa palavra é vibrar na miséria de definições. Na atual massificação do conceito de autoconhecimento podemos descobrir muitos eus, ou melhor, nem são descobertas, são antes reconhecimentos, se assim nos permitirmos mergulhar na sombra e luz do nosso ser.

Na caminhada de afastar-se do que a sociedade “quer”, do que a família faz acreditar que “devemos” ser, o aqui e o agora podem se apresentar de forma transparente mostrando a melhor versão, a essência e o propósito da existência terrena.

É possível que possamos nos reconhecer mais generosos, mais desapegados e mais gentis. Nesta gentileza, incluímos principalmente a autoabsolvição que é a mais difícil de exercitar. Costumo lembrar que adoramos um chicotinho de autoflagelo.  É hora de abandoná-lo de vez. 

A inspiração para lembrar o obvio da absolvição veio através da música SEJA GENTIL de Kell Smitt. A letra embala docemente esta alegria de nos perdoar.

Nem sempre nos permitimos. Olhamos muito mais para o em torno do que para o dentro. Não costumamos travar diálogos com as nossas células, como diz uma curadora que conheci, também uma preciosa inspiração. Não costumamos conversar com estrelas como fazia Olavo Bilac. Nem costumamos respirar no silêncio e celebrar a nossa própria música, mesmo que tudo isso seja o mais preciso de nós.

No piloto automático de cada dia seguimos, acreditando que podemos tudo controlar, sendo que sobre as duas únicas coisas certas na vida, que são  a hora de nascer e a hora de morrer, não temos absolutamente nenhum domínio.

Por isso nenhuma palavra me define. Várias me identificam. Outras já mudaram de lugar na lista. Outras virão. Porque a vida é movimento. É nisso que creio, em meio a tropeços e ressignificados.

A vida é eterno recomeço.

 

por  MARIA LUIZA KUHN

29/01/2022

 

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza
Sábado, 29 Janeiro 2022 20:14

ETERNO APRENDER

Nascer é uma honra para si mesmo.

A vida é um presente, regalo fiel...

Mazelas e miasmas tragam com fel

A existência e o homem fica a esmo.

 

Viver é soletrar numa cartilha do abc,

Porque o mundo ensina, é um professor

Que tudo mostra até onde a criatura for

E o que mais encanta é sempre aprender.

 

Com entusiasmo explora-se aprendizagem,

É fundamental apagar este rótulo selvagem

Que muitos trazem de berço e romper

 

Com a violência e a ignorância acintosa...

Lembrar que para o humano não há tosa,

Chega-se, vive-se, aprende-se até morrer!

 

 

DE Ivan de Oliveira Melo

 

Publicado na categoria: Poesia
Quinta, 27 Janeiro 2022 20:21

O POETA & O FILÓSOFO

O poeta espreita,

O filósofo formula.

Axiomas são máximas;

Linguagem poética, sentimento.

 

Há um lago vazio

Entre os dois lados:

O poeta não deserda, assume;

O filósofo cria, não interage.

 

O filósofo é proverbial,

Verbaliza em suas sentenças

Os aforismos das possibilidades;

A poesia transcende as emoções

E, embora use da conotação,

Vincula-se à realidade

Através da sugestão.

 

O filósofo desmente verdades;

O poeta atinge o impalpável

Por meio dos sonhos.

 

O poeta é explícito;

O filósofo, enigmático.

Enquanto o filósofo é empírico,

O poeta é onírico.

 

Consoante o conhecimento filosófico,

A verdade se expressa pela experimentação;

Já a poesia se apoia na sensibilidade

E no prazer abstrato, estético... Poesia é sedução!

 

O filósofo emite

Seu entendimento particular;

O poeta exprime

O belo na configuração

Do Pensamento.

 

O filósofo é cientificista;

O poeta místico.

Quando o filósofo

Desmente dogmas sagrados,

Afirma que a alma é atomística,

Que se fragmenta e se dissipa,

O poeta, artesão da palavra,

Mostra que a natureza é divina

E que há um ser superior,

Criador de tudo quanto existe.

 

O filósofo, então, é um especulador;

O poeta, em sua essência, excelso.

Apenas no âmbito do bem

Se aproximam, pois,

O mal provém

Da natureza humana,

Por isso a fraternidade

Deve ser uma

Experiência coletiva,

Porque o orgulho e a ambição

São ervas daninhas.

 

Poesia e Filosofia são artes,

Cabe ao engenho de cada ser

Saber interpretá-las

E conviver com as diferenças!

Publicado na categoria: Poesia
Quarta, 26 Janeiro 2022 21:34

ANDARILHO DA SOLIDÃO

Sobre as folhas que o outono espalha

Vejo em teus pés nus o andarilho solitário

Que caminha destemido pelas ruas da solidão

E num beco chamado saudade dorme na aventura.

 

O vento açoita e teu pensamento tem frio,

Mas é no calor da nostalgia que te acolhe

Que o tempo te confidencia divinas mensagens

Que guardas em teu peito como ouro do mundo.

 

A noite envelhece teus sonhos mais urgentes

E na claridade do novo dia teus olhos resmungam,

Cobrando de ti as belas paisagens escondidas na madrugada...

 

A brisa da manhã apalpa tua face ainda sonolenta,

Em teu destino há veredas impúberes e vazias,

Tua fadiga é tanta que a consciência teima em não despertar!

 

 

 

DE Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 24 Janeiro 2022 18:55

ANTAGONISMO

Se o nada não existe,

Por que existe o tudo?

Como são pontos antagônicos,

O nada não deveria existir?

 

A verdade é que tudo se renova,

Inclusive o homem...

A morte é meramente

Uma abstração, pois

A metamorfose ocorre

Partindo-se de um princípio

Que jamais terá um fim.

 

Se Deus surgiu do nada,

Aí está provado

Que o nada existe

E que esse nada

É simplesmente o tudo.

 

Não haveria o tudo

Se não houvesse o nada.

A própria ciência explicita:

“Na natureza nada se perde,

Tudo se transforma.”

 

Logo se conclui:

O nada é o tudo

E, o tudo, é o nada.”

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 24 Janeiro 2022 12:58

Vive o Agora!

VIVE O AGORA!

 

 

 

Não me interpeles!

O juízo não me falta.

É lícito conhecer

A verdade,

Mas ilícito promover

A mentira.

Não me indagues!

Antes concorda

Com a natureza

Que é sábia,

Tudo ela te dirá

Caso não a maltrates.

Nem me questiones!

Em pleno Sol

De verão

O inverno desaba

Torrentes infinitas.

O tempo é breve,

Contudo a esperança

É ilimitada.

No passar das horas,

Chega uma tempestade

De outono

E as folhas secas

Varrem o mundo,

Todavia só na primavera

Os olfatos estarão

Inebriados de perfume,

Porque assim é

O ambiente das flores.

Nunca me perguntes

Sobre a razão

Dos ventos!

Ele sopra tempestades,

Porém também

Sopra brisas

Em que o orvalho

É o esmalte

Da atmosfera

E o amor

O espaço sazonado

Onde reside a felicidade.

Jamais me interrogues!

Compreende tu mesmo

O ciclo vital,

Porque a vida

É imortal

E nós somos

Compêndios do Infinito!

 

 

DE IVAN DE OLIVEIRA MELO

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 24 Janeiro 2022 12:51

CAPRICHO

CAPRICHO

 

 

Hei de pescar estrelas em pleno firmamento

E trazê-las ao edifício de minha inspiração

A fim de melodiar as artérias do meu coração

De tão acéfalo que está o meu pensamento.

 

Hei de saborear doces e salgados dos cometas

E mastigar pacientemente todos os asteroides,

Porque todos os planetas giram, são esferoides

Num éter em que ninguém aprecia as etiquetas.

 

Hei de mudar-me em breve e viver apenas na Lua

Já que o diâmetro da vida é alto e o que se acentua

Nesta existência é o apetite e a sede de ambição...

 

Hei de viajar para um destino desconhecido, assim

Percorrer das galáxias este universo num ínterim

E buscar a tão sonhada liberdade de ser o Ser, então!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

 

 

Publicado na categoria: Poesia
Quinta, 20 Janeiro 2022 20:05

Entrega

Minha luta não é corpo a corpo
Minha luta é alma a alma
É mais forte que o meu próprio ser
Vislumbrar a paz, a calma da vida

É uma luta, é um me violentar
Um me consumir para confortar

Despertar os cegos, os surdos
Os loucos, os apáticos
Os que se acreditam sem alma
Ofereço o meu sangue, as minhas veias
Tem calma, vai, luta, há saídas
É só buscar ...

Juntos, conseguimos,
Tudo passa e eu fico
Em estado de graça

Se preciso for
Recomponho-me
Para oferecer alívio
Refazer sonhos,
Volto para lutar

Publicado na categoria: Poesia

 

 

 

Freud: desculpe este sonho não é para você!

 

O ruído de rodas friccionando o chão de corredores brancos e frios. Alguém me conduz deitada. Em seguida pede para me preparar com “looks” nada elegantes. Mais uma vez me conduzem. Sala excessivamente iluminada e baixa temperatura. Pessoas de branco circulando em murmúrios. Percebo que manuseiam gelados instrumentos. Evito a todo momento abrir os olhos. Ainda não fui sedada. Recordo o dia que me deitei numa sala deste tipo para abrirem  o meu peito e tocarem o meu coração com as mãos. Mãos abençoadas de quem sabe do ofício. Chamei aquele dia de renascimento. Não tive certeza que despertaria, mas sobrevivi.

Hoje a situação que me trouxera até esta sala era mais amena, mas necessária. Algo como pólipos endometriais ou algo assim. Requeria sedação profunda. Como portadora de prótese valvar os cuidados anestésicos são mais acurados, enfim sedada fiquei. Neste espaço-tempo quiseram os benfeitores universais me transportar por caminhos lindos, leves, floridos.

Confesso que desejei permanecer nestes lugares. As últimas lembranças do transe anestésico diziam de uma alegria infantil estar me acompanhando, uma alegria intraduzível.

Em sintonia, (esta alegria infantil e eu) viajamos num meio de transporte que era como um trem. A cada paisagem se descortinavam belezas e sentires que não pareciam ser deste mundo. Em dado momento da viagem num átimo, alguém me soprou: quando acordar pergunte quem da equipe que te cuida agora, está grávida.

Estava ali para curar meu órgão feminino mais sagrado. Onde gestei os três filhos que me coube trazer a este plano, ele, o útero, dera algum sinal de desregulamento. Coube a outra mulher, jovem médica retirar estas demasias de dentro de mim. 

Ainda em estado de letargia, percebi a médica ao meu lado perguntando se estava tudo bem. Contei-lhe do sonho assim que recuperei a consciência da anestesia dizendo precisar saber quem estava grávida, pois havia um recado. Sim, disse-me ela:  “estou grávida de uma menina. Soube neste final de semana que é Mariana”.

Entendi de pronto que Mariana gerada já fazia parte das  mulheres curandeiras. Viajou comigo de mãos dadas no sonho do sono da sedação, me alegrando, enquanto sua mãe cuidava de outra mãe.

Trouxe teu recado linda menina!

Ah! Os milagres, os mistérios. O invisível, o intangível!

Se assim não fosse, valeria à pena apenas experiência do visível neste plano?

Gratidão Dra. Talita.  Obrigada Mariana pela companhia alegre e linda.

Estou bem com a vossa benção e de todas as sagradas mãos femininas que me amparam!

 

 Por MARIA LUIZA KUHN/ Janeiro 2022

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza
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