Aplicado o filtro por Data: Abril 2021

Sábado, 29 Mai 2021 10:55

*Há nos olhos um brilho de Lua*

 

É lá, onde um raio de luz  toca o infinito,

Que meu abraço abraça o azul irreverente do mar.

 

Da fonte donde brotam  águas vivas,

Tenho como presente a perfeita nitidez de que,

Se pudéssemos ser um ponto que brilha, na escuridão,

Teríamos como atravessar tantos desertos.

 

Mas não vivo apenas para contemplar estes mistérios.

 

Sou um vasto espaço dentro de mim mesmo,

 A observar  certos deuses que,  por ora, não ousam  dos céus descer.

 

Descubro que chorar as incertezas,

É caminho longo de exaustão.

 

Seja fora do céu, ou fora da terra,

Ainda há um brilho de lua, no olhar.

 

E passo a acreditar, que o Paraíso,

Não é apenas um lugar.

 

É a minha própria alma, procurando  onde aportar.

 

Angela Lazzari

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 29 Mai 2021 10:52

*Corpo Nu*

 

Nada mais quero que a singeleza do teu abraço,

Neste meu corpo nu e santo que a ti faz-me devota.

 

Tua verve poética enaltece os meus lábios molhados,

E teu jeito imperdoável me transfigura as vestes,

Que se rasgam e se abrem às tuas confissões.

 

Fica subtendido entre as tuas palavras e o meu silêncio,

Todos os desejos incontestáveis,

Que há tempos distanciaram-se de nós.

 

O poema, então, é cantado a cada vontade,

A cada olhar nosso, que deságua até o momento final.

 

Torno-me confessa em minhas divagações,

Ao cerrar a porta desse local único:

Nosso momento esperado.

 

E quando vais, sem olhares para trás,

Sem sequer dizer “até qualquer dia”,

Meu sorriso se espalha pelo canto da boca.

E os meus olhos em brilho,

Anotam o endereço da tua malandragem.

 

Teu retorno é o meu presente.

O teu beijo...

A marca de tudo aquilo que ainda não foi confessado.

 

És assim. Jeito perfeito,

Que eu reverencio...!!!

 

Angela Lazzari

(Aos dezessete dias do mês de Fevereiro de 2019).

Publicado na categoria: Poesia

 

Do telefone a manivela à rede mundial de computadores

 

Quando menina me parecia que o telefone era um bicho papão.

Era tocado a manivela e para fazer o mais prosaico chamado, necessitava-se acionar uma telefonista (a maioria das vezes função feminina) e aguardar o atendimento. O telefone doméstico era privilégio de poucos. Confesso que o meu primeiro contato, facilitado pela minha tia que trabalhava numa fábrica de refrigerantes, foi um susto e ao mesmo tempo uma superação. Aquela gerigonça preta e enorme, manifestando voz, me assustou muito.

Eram tempos de cadernos, lápis, desenhos, jogos de amarelinha, brincadeiras intermináveis entre árvores de frutas e terra vermelha.

Na juventude, para o acesso ao mercado de trabalho, a exigência imprescindível era a habilidade em datilografia. Dá-lhe treino em usar todos os dedos para ter destreza e rapidez em digitar. Em seguida chegaram as máquinas de datilografia elétricas. Sucesso.

A partir daí começaram a aparecer lentamente algumas notícias do que chamavam computadores. Rapidamente, velozmente e indiscriminadamente.

Novidades tecnológicas no trabalho e na vida cotidiana. Exigiram da geração chamada “baby boomer” na qual me enquadro, rápidas mudanças, adaptações e aprendizados.

Continuam a chegar de uma forma quase desvairada a cada dia. E hoje temos as gerações digitais. Mal sabem usar lápis. Estranham demais ter que usar estes instrumentos. Será que em algum momento irão se assustar ao usar lápis de cor, por exemplo, como eu me assustei com o uso do telefone na meninice?

Mundo louco esse! A tecnologia se tornou imprescindível e facilitou a vida. Tem seus malefícios? Deve ter. Assim como deveria ter a falta de toda a facilidade que ela proporciona. Não sou eu quem julgo isso. Aliás, nunca digo que isso era melhor que aquilo ou vice-versa.

Ocorre-me escrever sobre isso, porque ando meio cansada das redes sociais e seus famosos “algoritmos’ (poucos ou quase ninguém descobre os segredos destes monstros) que privilegiam algumas postagens vazias ou aqueles que apenas garantem retorno financeiro aos gigantes da tecnologia.

Isso faz com que a humanidade vá se distanciando da poesia, da arte, da literatura, do sublime.

 

 

Maria Luiza maio/2021

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza

 

Chegas sempre embebedando as madrugadas,

Como o sol da meia noite, adornando o paraíso em mil cores,

Curvando os lábios cegos, a entrelaçar pequeninas flores,

Exalando o perfume que enfeita o peito, em fé emaranhada...

 

Deixei ha tempos de esculpir a saudade passeante que me atormenta,

Tornando-me solo infértil da razão,

Sangrando uma esperança tardia, no desenrolar d’uma mente passiva,

Sustentada pelo descontentamento de um raciocínio sem coração...

 

Singrando mares,

Aportando barcos,

Silenciando as lágrimas transformadas em pequenas gotas...

 

Lindo seria se a lua se deitasse com o sol poente, engravidando luzes,

Parindo estrelas,

Para enfeitar a aurora boreal dos teus olhos,

Nesse ínfimo amanhecer, que abraça o meu sorriso quando em ti desperto,

Nesse nosso encontro feito em liberdade...

 

É como o açucarar do meu choro incessante, que rompe a alma,

Que dilacera a saudade,

Fazendo-me despedir dessa tristeza que sinto,

Quando partes...

 

Porque nunca sei dizer aqui dentro quando voltas,

Nunca sei se ousas prometer acalmar a distância que me acompanha...

 

Mas toda vez que pela porta sai, eu sempre fico despida,

Por inteiro,

No corpo, na mente e no espírito...

 

Esperando que possas preencher todo esse vazio,

Aguardando que retornes de repente, com o teu beijo...

 

Pois somente este teu encantamento,

Sabe conter as palavras que ouso derramar,

No papel da minha alma,

Nessa folha branda que cai solta...

 

E no final,

Consegues arrumar definitivamente toda esta bagunça,

Todo este nó,

Que os meus próprios dedos ainda não sabem desatar...

 

Angela Lazzari

 

(Ao primeiro dia do mês de Novembro de 2015).

Publicado na categoria: Poesia
Quarta, 26 Mai 2021 22:35

Sensíveis Em Mim

 




Agora que o silêncio toca aquele ponto de dor,
ao lado direito do coração,
se outrora tivesse sido massageado
por palavras de atenção, sei que não era hoje ferida...

E agora, louca, posso cobrar-te amor,
posso dizer que sou tua, sem medo,
e no elucidar de tanto segredo,
a jura talvez seja cumprida...

Se, lá no ponto sensível do céu,
há um labirinto de luzes e cores...
quando foi que de teus lábios nasceram flores?


 

 

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 24 Mai 2021 01:12

Insone

Despretensiosos versos e as estrelas que avisto pela fresta da cortina me fazem companhia. 

Engolindo a noite e alguns sapos atraídos pelas borboletas no estômago que lembranças trazem consigo. 

Madrugada a dentro digerindo sonhos de olhos abertos e soluçando saudades.

Buscando continuamente, num destes aplicativos qualquer de entrega, um remédio que trate deste insone refluxo gastropoético. 

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 23 Mai 2021 20:00

*Embriaguez*

 

Sorvo cada pedaço teu,

- Presente em toda palavra tua,

- Entrecortada em teu gesto insinuado.

 

Vens assim,

- Em nuas vontades,

Letra por letra,

- Enlaçando meu abraço,

- Roubando todos os meus lados.

 

Leio e releio,

- As tuas intimidades.

- A cada pausa,

- Em cada suspiro cobiçado.

 

Maestro de mãos prazerosas,

- Desde o ventre aflorado até a boca farta.

 

- A pele urge em desvendar-te,

- Saber-te apenas por uma letra:

- Frenesi d’uma única composição.

 

Arfante de minhas memórias,

Embriagada fico,

- No vai e vem da tua saliva licorosa!

 

Devota de todo o teu querer,

- Da tua cupidez irrefreável.

- Paladar insaciável.

 

- És, também, toda minha despida,

 

- Aveludada,

 

- E esboçada ousadia...!!!

 

Angela Lazzari

 

(Aos dez dias do mês de Março de 2019).

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 23 Mai 2021 16:21

*Lembranças*

 

Da tua boca, o rompante de uma frase...

Dos teus lábios, a caricatura da minha imagem...

Refletida no espelho em que me observo,

Trajando o sonho...

Nos versos que componho.

 

Da minha saudade, a tua imagem desenhada...

Do meu querer, a tua presença registrada...

Arvorada em raízes aprofundadas,

Em meu peito, 

Semeadas...

 

Trago no sorriso, doces lembranças,

Pintadas em vermelho, na fogueira santa da tua querência...

Alinhavadas pelo fio que não se parte,

De tal forma que me vicia,

E no meu poema, a alma sacia...

 

E fica revelado, em tamanha profusão,

A febre ardente que me consome.

 

Entre as tuas rimas,

A vaga e latente solidão.

 

Esse legado,

Que me amordaça,

Que me invade a alma.

 

Gravado no tempo,

Em uníssono,

Pelas nossas vozes,

Num turbilhão de sons...

 

...Amor concedido....

 

....Ansiado.....

 

...Encantado...

 

...Tão arranhado...

 

...E docemente, revelado...

 

Angela Lazzari

 

(Aos vinte e três dias do mês de Maio de 2021).

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 23 Mai 2021 16:07

*Laço de Fita*

 

Minha tez límpida e fresca

Percorreu a dimensão exata do teu olhar,

Como a forma de um laço de fita,

Que adornam lindos presentes,

Emaranhando sublimes sonhos que tive contigo...

 

Que jamais se apagaram...

 

Seria ilógico dizer que habitas em meu coração,

Instantes a fio,

Pois a moradia do meu ser,

Te abriga em cada som que ouço,

Em cada melodia marcada pelas batidas da música suave, que cantas aos meus ouvidos.

 

Minhas lembranças são presentes que retenho na memória...

 

Todas elas, escritas em papéis coloridos e

registradas no meu diário de cabeceira.

Anotações de um tempo que ficou...

 

Mas assim que a solidão se fizer presente,

Nestas noites em que nada mais, para ti, parecer ter sentido,

Escreva o meu nome, com a tinta fresca da tua retina...

 

E o presente, enfeitado com aquele laço de fita,

Te dará de presente, a minha serena lembrança,

 

Tão marcada pela tua...

E que foi desenhada, no mesmo papel colorido, em que o teu nome,

Estará sempre escrito...

 

Angela Lazzari

(Aos vinte dias do mês de Julho de 2017).

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 22 Mai 2021 21:56

Acidente de percurso

Derrapando em palavras mal asfaltadas 

Na curva fechada de um verso, a mil por hora

Rodopiando lembranças, capotando ausências, 

Ribanceira a baixo intimidades, desejos e saudades, 

Caindo a teus pés misturados à lama da tempestade de outrora.

Sentimentos costurados cirurgicamente, cicatrizes expostas

Sentidos inebriados no pós anestesia, 

Ninguém na sala de espera, 

E na cabeceira uma multa da poesia. 

 

 

 

Publicado na categoria: Poesia
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