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Sexta, 29 Janeiro 2021 23:13

Coluna da Maria Luiza 02 2021

 

Fiz as pazes com a bicicleta

 

Parece que todas as crianças gostam de bicicletas. Parece até um rito de passagem, quando são retiradas as rodinhas de apoio e os pais encorajam os pequenos a andaram como “gente grande”.

Óbvio, para quem pode ter bicicleta desde a infância. Não foi o meu caso, e não é a realidade para a grande maioria das crianças. Mas falemos das bikes e suas superações.

Era eu pré-adolescente e alguém me emprestou uma bicicleta, para dar uma volta. Não querendo fazer feio (típico da idade), montei no “veículo” e, simplesmente, saí em disparada. O tombo foi, além de inevitável, traumático e dolorido.

Registrei esta dor na memória e o desejo de andar de bicicleta deve ter sido guardado na quinta gaveta do enésimo armário, fechado a ferrolhos no meu inconsciente.

Toquei a vida com uma característica “baby boomer” (mais trabalho do que qualquer outra coisa) e quando chego nos cinquenta e poucos eis que quebram-se todos os ferrolhos e os armários parecem ter se desintegrado.
A memória e o desejo de andar de bicicleta vieram à tona com muita raiva. Sim, tipo: aprendi um monte de coisa e não sei me equilibrar neste negócio, como se essa habilidade dependesse apenas da cognição.

Comecei a invejar todos os usuários de bikes do mundo. Principalmente aqueles que passeavam na orla da cidade praiana em que morava. Inveja mesmo. Mas quando eu pensava, hoje me encorajo, lá vinha a minha insegurança e balançava em cima da bike, caia, não equilibrava e voltava correndo para casa, empurrando a bicicleta.

Ah,  antes que termine a crônica, vou confessar outra coisa: tenho uma inveja danada dos casais que viajam de motocicleta. Nunca andei numa moto, nem sequer de carona, mas isso é para outro dia.

Voltemos à bike; Eu já com sessenta e um tantinho. Chega a pandemia. Trancafiada em casa.

Algum exercício tinha que fazer. Acreditem ou não, a garagem do prédio estava vazia. E eu invisível a qualquer julgamento e  a qualquer perigo de obstáculo, pego a bike disponível e começo a praticar dentro da tal garagem.

Sucesso total. Sozinha, desenhava caminhos e muita voltas na garagem. Viva!

Mudo de cidade, compro uma bike novinha, e eis que começo a passear pelo bairro. Agora de máscara e capacete. Meio atrapalhada ainda, mas bem mais confiante.

 E a menina que nunca pôde ter uma bicicleta anda de mãos dadas comigo e sorri para a mulher que hoje, depois dos sessenta, supera o trauma do tombo e , enfim, pode comprar sua bicicleta.

Vento no rosto. Riso feliz.

By MLK

Janeiro 2021

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza
Quinta, 28 Janeiro 2021 12:44

Poeta

Exacerbo o meu coração com droga

Numa noite calma, sozinha diria

O efeito do álcool está à vista

Porque me acho artista na poesia

Romântico? Cético? Racional?

Tento definir o meu ser ao beber

Mas sou apenas patético animal

Que quer sofrer no lugar de viver

Vive homem, larga a garrafa

Se fosses ao mundo eras são

Mas parece que escolhes este futuro

De constante auto depreciação

Cala-te, cessa os ensinamentos

Pensas que já não tive tais pensamentos?

Deixa-me estar no meu lavrar de alma

Porque estes campos não se fazem sós

Se não fossemos nós

Onde estavam os atuais famosos escritos

Venerados pelos proclamados eruditos

Publicado na categoria: Poesia
Terça, 26 Janeiro 2021 22:00

PURO AMOR

Tentei explicar e poucos ouviram,

Rasguei o véu da realidade,

Vi coisas que nunca devia ter visto,

Provei que existe amor de verdade.

 

Nos campos desertos da compreensão,

Semeei palavras de esperança,

Contando histórias pelo caminho,

Sorrindo aos anjos que são as crianças.

 

Dei a mão a quem me procurou,

Encarei muitos demônios de frente,

Acalmei aqueles que sentiam dor,

Mostrei que irmãos não são diferentes.

 

Nunca cansei ou perdi a fé,

Quando pediram, eu mostrei a luz,

Posso ser o que você quiser,

Tenho vários nomes, inclusive Jesus!!

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 25 Janeiro 2021 06:06

Cansada demais

A despeito do que se pensa

Nada a fará mudar

Por mais que ele insista

Ela decidida está

 

Coração quando se cansa

faz a chama apagar

Horizonte e sol que brilha

Vida nova a lhe esperar.

Publicado na categoria: Desafio Poético
Domingo, 24 Janeiro 2021 17:55

O MUNDO EM QUE VIVO

Gosto do mundo em que vivo, pois nele há muitos cheiros, gostos, visões, sensações e caminhos.

Gosto do cheiro das flores, cheiro de terra molhada, café com leite quentinho, cheiro de abacaxi em época de Natal e de amendoim torrado em festa de São João.

Gosto do cheiro da casa limpa, cheiro de limão  e coentro no tempero do peixe e de cravo e canela no doce. Cheiro de alegria!

Às vezes não gosto do mundo em que vivo,  por causa do cheiro de horror. Valas abertas, lixo pelas ruas, cães, cavalos e gatos espalhados nos Centros urbanos, sem ter quem os cuide e sem haver quem nos cuide do cheiro de fezes, urina, feridas abertas que eles carregam junto às bactérias que se espalham pelo ar. Cheiro de descaso!

Gosto do mundo em que vivo, pois há muitos sabores. Gosto de manga, suco de uva, café quentinho e canja de galinha, hortelã no abacaxi e de cachorro quente.  Gosto de satisfação!

Às vezes não gosto do mundo em que vivo por causa dos gostos. Gosto amargo, azedo, salgado, doce e tudo em demasia. Os gostos devem ter seu tom, seu teor equilibrado, mas neste mundo nem sempre é assim. Gosto de decepção!

Gosto do mundo em que vivo, pelo que posso ver. São pássaros de todas as cores, céu azul, branco ou cinza; mar verde, azul ou cinzento, ondas que vem e vão, dia de sol, dia de chuva, crianças que brincam, lua no céu, estrelas a brilhar. Vejo beleza!

Às vezes não gosto do mundo em que vivo, pois ao olhar, enxergamos pássaros presos, mar poluído, sol que queima demais, chuva que chove  de menos, crianças que são maltratadas, idosos esquecidos. Vejo tristeza!

Gosto do mundo em que vivo, pois há muitas sensações. Vento no rosto, amor de mãe, ternura de filho, carinho de um cão. Paixão ardente, amor delirante, prazer incessante.  Sinto emoção!

Às vezes não gosto do mundo em que vivo, pois alguns sentimentos causam terror. Medo de sair de casa, insegurança , desconfiança de quem nos olha, ansiedade em obter provisão, angústia e decepção. Sinto desilusão!

 

Gosto do mundo em que vivo, pois nele há vários caminhos. Andar na areia, na água fresquinha, subir as montanhas, ruas de árvores, pés descalços, pés no chão. Caminho com firmeza no coração!

Às vezes não gosto do mundo em que vivo, porque há caminhos tortuosos, inseguros, pés que sangram, caminho longo, árido, gente sem provisão. Caminho sem direção!

 

Gosto e detesto o mundo em que vivo, e é uma luta interior. Parece contradição amar e odiar,  perfumes  e odores, gostos e desgostos, ver o belo e o pavoroso, sentir-se bem e sentir-se mal, caminhos e tropeços. Mas afinal, é esta contradição que nos dá graça. É ela que nos faz valorizar o bem ou o mal.  Nos faz escolher que cheiro, visões, sabores, amores e caminhos queremos seguir. Pensando bem, que bom! Acho que tenho escolhido o gosto, embora tenha que conviver muitas vezes, com o desgosto. Viva a vida!

Ana Melo

 

 

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 23 Janeiro 2021 12:22

Simples

O que eu quero é simples

Quero aprender, quero dançar

Quero escrever, quero desenhar

Quero tudo ver e imaginar

Quero ser ser sem nada a apontar

 

O que eu quero é simples

Quero ser normal, quero ser imperfeito

Quero ser racional, quero ser inteiro

Quero ser especial para quem respeito

Quero ser o ideal homem rotineiro

 

O que eu quero é simples

Quero acordar de manhã

Quero amar a minha companhia

Quero recordar o amanhã

Quero ter uma epifania

 

O que eu quero é simples

Simples é porque numa só palavra o sucinto

O que eu quero é simples

Quero simplesmente ser Perfeito

Publicado na categoria: Poesia
Sexta, 22 Janeiro 2021 21:13

Espectador

Vejo me por fora

Como espectador herege dirijo

Ora são, ora impotente emulação

Agora, por fora novamente me vejo

Desejo que um dia me sinta inteiro

Para poder ser finalmente o verdadeiro

Eu

Publicado na categoria: Poesia

 

Sobre o primeiro beijo.

 

A gente nunca esquece. É verdade?

Dizem que sim. Eu nunca esqueci. Há quem conte como foi, há que nem sob tortura contará.

A questão que me fez pensar é: por que não esquecemos o primeiro beijo?  Não que tenha sido o mais gostoso (se podemos atribuir escala à beijos), nem o trocamos com a pessoa mais marcante em nossa vida, na maioria das vezes, mas está carimbado como tatuagem na lembrança. A provocação sobre o assunto foi de um amigo. Ele não conta. Eu conto: Devia ter por volta de 14 anos, quando tivemos permissão de ir a festinhas de garagens (na época) com colegas de aula. Dancinha vai, dancinha vem e ao final do evento, retornando, alguns rapazes acompanhavam as moças até suas casas (vejam como é antigo isso).

Numa dessas meu acompanhante tascou um beijo e eu bem que gostei, aliás tudo o que eu queria saber naquela etapa, era como seria a sensação de beijar, até então virgem de beijos. Foram um ou dois, não lembro direito. Lembro que me despedi e corri para dentro de casa. Direto para frente do espelho para ver qual o efeito físico do beijo, examina o lábio, examina a face.... aparentemente tudo igual. Não sei bem o que esperava, mas nada denunciava que eu já havia debutado na arte de beijar. Confesso que fiquei um pouco decepcionada naquele dia.

Revisitando a cena nas páginas das minhas memórias percebo que, não no físico, mas nas lembranças que o tempo coleciona é que fez diferença. Por quê? Sigo não entendendo muito bem.

Hoje e sempre o beijo continua sendo muito bem-vindo.

A intimidade mora no sopro da vida trocado no beijo.

 

By MLK janeiro de 2021

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza
Sexta, 22 Janeiro 2021 03:00

ÁGUAS E MÁGOAS

Não consigo esconder tantas mágoas vividas,

Despejo em você quase tudo o que posso,

Apago as luzes ao passar por espelhos,

Sempre o mesmo final, eu dizendo que volto,

 

Faço pose de quem tem grandeza de espírito,

Armadura polida que a ferrugem consome,

Águas passadas ainda movem moinhos,

Digno de um cãozinho morrendo de fome.

 

Animal que rasteja procurando um dono,

Afundando na lama desse amor dependente,

Madrugada perdida, outra noite sem sono,

Repetindo o disfarce, que é ser indiferente,

 

Eu queria mudar e joguei tudo pro alto,

Para sobreviver, resgatei o amor próprio,

Até mudei o endereço para recomeçar,

Mas você apareceu...  outra vez disse... volto.

Publicado na categoria: Poesia
Terça, 19 Janeiro 2021 02:25

SENTIMENTOS

Sorte, que me abre a porta quando passa,

Limbo, que quando me vê fica sorrindo,

Tristeza ficou distante meio sem graça,

Surpresa, disse que não vinha, mas está vindo.

 

Medo, ficou na porta só me olhando,

Quem não para de fazer perguntas é a alegria,

Orgulho é meu cãozinho vira lata,

Solidão faz cara feia, mas é minha amiga.

 

Carinho, parece tímido e usa máscara,

Ternura, só vejo falando com as crianças,

Frieza, em cada mão tem uma faca,

Mas quem vem todo dia é a esperança.

 

Afeto, tinha sumido, mas sinto perto,

Angustia, arrependida trouxe uma flor,

Passado viu que o futuro era incerto,

Esqueceu que no presente existe.. amor!

Publicado na categoria: Poesia