Aplicado o filtro por Data: Novembro 2020

Quarta, 30 Dezembro 2020 00:49

INSANO

De tanto abrandar, fugi primeiro,

A vida desenhou momento trágico,

As runas decifraram o elo mágico,

Voltei a ser torpor o tempo inteiro.

 

Busquei pela razão em tempos vis,

Sondei na escuridão alguma voz,

De dentro pude ouvir o meu algoz,

Sofrendo por um mal que eu nunca fiz.

 

Demônios que perturbam minha mente,

Tormento que me faz indiferente,

Eu posso quase tudo, até morrer.

 

E nas ervas onde tento aliviar,

Tantas horas com a mente a vagar,

Podendo quase tudo, até viver!

Publicado na categoria: Poesia
Quinta, 24 Dezembro 2020 15:45

Feliz Natal!

Feliz Natal!

Boas festas a todos!


Para encerrar o ano pensei em prestar uma homenagem à Casa da Poesia. Temos motivos para isso.  E muitos. Entre esses motivos: o carinho e a atenção que sempre recebi do nosso saudoso Renato. Da Ângela e do L´Max. Além disso, a honra que tive pelo espaço durante esses anos de publicações da Coluna do Lineu às quintas-feiras; e os Causos do Lineu, editados pelo Renato. Tudo isso coroado com o convívio dos fabulosos Poetas e Poetizas que sempre encontro por aqui. Assim, não é a toa que boa parte do meu tempo dediquei a caminhar pelas boas coisas da Casa da Poesia. Nesse período encontrei-me nas nuvens...  Nesse maravilhoso espaço poético viajei nas minhas ilusões. Lembranças da época de quando jovem meu pai dizia que eu andava no mundo da Lua.  Lembranças porque naquela época eu achava que era só eu que andava no mundo da lua. Não me importava, afinal de contas era verdade. Caminhei muitos anos no mundo da Lua! Hoje me descubro nas nuvens, entre Poetas e Poetizas. Será que foi de tanto andar pelo mundo da Lua que se descobriu que as nuvens guardam lembranças? Imaginem. Lembro que um dia  (2016) fui convidado pelo L’Max a conhecer a Casa da Poesia. Acho que foi daí que voltei a andar nas nuvens. Andando por essas nuvens me deparei com um mundo permeado de poesias virtuais. Não acreditei no que vi. Tentei algumas. Escrevi crônicas. Participei das Antologias. Hoje os Livros retratam uma realidade. Elas são reais. Antologias pertencentes aos Poetas e Poetizas, eternizam-se. Ao meu lado passam poesias; fotografias - e para lembrar o que é e a origem da palavra fotografia - li uma sinopse na Wikipédia, onde se lê:

 

 “Fotografia, por definição, é essencialmente a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando-as em uma superfície sensível.”

 

Aí eu pensei em encerrar a Coluna do Lineu neste ano, como enxerguei a “Casa da Poesia:

 

“A Casa da Poesia é um espaço virtual que expõe à luz às percepções de quem cria. Expõe criatividades, homenageia a virtude; honra a aura luminosa dos que circulam por lá; expõe suas artes; cria poetas, que por sua vez, eternizam poesias.”

 

A todos, que Deus abençoe!

 

Feliz Natal e um Ano novo de Felicidades e Sucesso em 2021!

 

Lineu Mattos

Publicado na categoria: Crônica

 

  

Num ano de tantas agruras, como nunca havia visto, esperava-se que o Natal chegasse trazendo esperanças...

O fim do ano chegou rápido ! Apesar das notícias sobre o vírus nefasto, as pessoas circulavam sem mostrar medo. As compras eram tímidas, porque esse fora um ano de muita dificuldade financeira para muita gente...

Não se via as costumeiras reuniões nos bares, no final do expediente, ou a troca de presentes dos ‘Amigos Ocultos’ . Não se via janelas iluminadas, não se via árvores acesas nas casas. Não deveria haver grandes reuniões este ano  -  a aglomeração de pessoas era um risco !

Que ano !!

Assim correram os dias, numa expectativa diferente dos outros Natais.

Achou melhor colocar alguns enfeites pela casa. Uma tímida árvore armou – apenas para lembrar que era Natal ... Conseguiu comprar alguns poucos presentes, apesar da incerteza se poderia entregá-los... Separou as velhas canções e tentava encher o ar com as memórias de todos os Natais. Mas as memórias pareciam cansadas e apagadas  -  o tempo parecia tê-las levado para tão longe !...

O fim do ano chegou rápido !  O fim de um ano vazio de histórias, cheio de preocupações stressantes, de medo, de condolências, de adeus... Mas a vida exige que se vá em frente, quase nos impõe a necessidade de acreditar nos amanhãs. Apesar de tudo ...

Este ano não haveria festa. Alguém partiu. Alguém está distante. Não havia motivos para ceia – não haveria ninguém mais à volta da mesa. Apenas, talvez, as velhas melodias...

Este seria o ano em que o Natal não chegou ...

No entanto, enquanto olhava a vida lá fora, naquela noite silenciosa, de repente viu o seu reflexo no vidro da janela, enfeitado pelo reflexo das luzinhas piscando no tímido pinheiro – como se fossem suas as luzes, as cores, o brilho ...  E percebeu que era !

Entendeu que todas as festas, todas as memórias, todas as pessoas queridas, toda alegria estava dentro de si mesma !  Lembrou que o espírito do Natal sempre estivera no fundo de cada coração capaz de amar. Entendeu que sempre seria Natal...

 

 

 

                                                                                                                          Waulena d'Oliveira

 

 

Publicado na categoria: Coluna da Waulena

Coluna da Maria Luiza 03/2020

 

Iguarias no céu!

 

Hoje acordei em festa. Um tipo de festa que sempre foi banquete para a menina que habita em mim.

Muitas cucas (iguaria de origem alemã, típica entre os imigrantes no sul do Brasil) de diversos sabores e coberturas. Sucos, muitos sucos. Pães fresquinhos e café com leite.

Posso afirmar que se passava no interior do interior do sul do Brasil. Sequer havia energia  elétrica naquele lugar, quando eu era uma menina. Lembro das cantorias dos meus tios avós à luz do lampião, ou em noites claras, apenas iluminados pela luz da lua, naquela varanda aberta ao jardim cultivado cuidadosamente pela minha tia avó. Perfumado e colorido jardim.

O anoitecer juntava-se à noite, precocemente. Logo era hora de descansar, pois faina da roça começa ao clarear do dia.

As férias escolares, que em parte se davam neste lugar, preencheram minha alma de cantorias.

A festa em que acordei no sonho era na casa deles.

Todos lindos, arrumados e cheirosos nos preparávamos, para celebrar algum evento. Creio que o mais tradicional de todos, chamado festa de KERB. (uma festa da tradição dos imigrantes alemães no sul do país para congregar familiares ou comunidade, ao menos uma vez por ano)

A dona da casa (minha tia avó) estava linda e vestia branco. As filhas, todas coquetes na volta dela. O dono da casa, estava mais magro no meu sonho.

Minha mãe, estava a se arrumar. Uma blusinha branca de voal cheia de flores delicadas em bordado a faziam feliz.

Mas fazia frio outonal. Ela precisava de um casaquinho e era esse o nosso conflito. Meu e da minha irmã. Ela não se convencia, queria usar mesmo aquele (branco amarelado, a tirar a delicadeza da blusinha) e então eis que, como argumento nós a convencemos: Sua mãe não vai gostar mamãe!

Sabidamente minha avó, gostava de tudo muito branco, alvejado e engomado, se possível.

Então ao meio de todos os preparos, me dei conta de que nesta festa, teríamos imensos vazios à mesa, especialmente, minha mãe e minha tia que gostavam tanto destes encontros.

Chorei estes vazios, mas chorei tanto que as lágrimas foram limpando a visão e descobri neste lampejo que a festa era no céu. Todos em comunhão, pois os principais personagens já haviam mudado de plano.

Sorri, eu fora convidada no sonho para estar com eles. Para que chorar? Estava a celebrar como especial presença.

Acordei!

Sigo neste planeta com minhas doces lembranças cheias de cantorias.

 

By MLK 2020

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza
Quinta, 17 Dezembro 2020 00:18

Água na boca

Sem fome, provei outro pedaço,

Sem sede, busquei no paladar,

No peito, frio e descompasso,

Na boca, coragem de beijar,

 

Sem foco, levantei a taça,

Sem pressa, mordi sem machucar,

Nos lábios, saboreei seus pelos,

Sem vento, noite ao luar,

 

Sem dúvida, suguei todo desejo,

Sem medo, lancei-me ao incerto,

No seio, afaguei com a face,

Faminto, banhei-me no teu sexo,

 

Sem fôlego, retesei o corpo,

Sem força, alma a vagar,

Suave, transe e tremores,

Sensível, maciez no olhar.

Publicado na categoria: Poesia
Quarta, 16 Dezembro 2020 10:11

Família Virtual!

Família virtual...

 

Imensa família virtual,

Confraria de emoções.

Como um contínuo luau,

Abrasa nossos corações.

 

Em uma noite tardia,

Achei ternos amigos.

Calor no peito fazia,

Aliviava os castigos.

 

Fiz desta minha morada,

Onde as letras escoam.

Sinto a mente revirada,

Quando seus poemas entoam.

 

Meus confrades, meus irmãos,

Reis Poetas e Rainhas Poetizas.

Minha alma honrada por tantas mãos,

Brilha e flutua por suaves brisas.

Publicado na categoria: Poesia
Terça, 08 Dezembro 2020 13:01

AMEI DEMAIS

Agora é tarde demais,

Já esqueci faz um tempo,

Mesmo no último beijo,

Meio sem sal, sem tempero,

 

Melhor não procurar mais,

Siga no seu ex-caminho,

Prefiro ficar sozinho,

Não quero amor, quero paz,

 

Pensei que fosse capaz,

Tudo parou num segundo,

É sério esse assunto,

Amor assim não desfaz,

 

Agora volto atrás,

Não esqueci um minuto,

Vivo em dias de luto,

Que falta que você faz,

 

Melhor não deixar pra trás

Sem seu amor não consigo,

Não quero ser seu amigo,

Porque eu te amo demais.

 

Isma 28/06/20

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 05 Dezembro 2020 16:12

Estranho de mim

 

Enquanto eu não encontrar

o estreito caminho

que me conduz

qo mais íntimo do meu ser;

Enquanto eu não for capaz

de dialogar comigo mesmo

encarando os meus fantasmas

dando nome a cada um;

Enquanto eu não me reconhecer

um ser em construção

banhado de imperfeições

e não encontrar em mim

o desejo visceral

de ser melhor a cada dia,

serei um estranho de mim mesmo.

 

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 05 Dezembro 2020 09:53

Coluna da Zezinha 3 - Conversa Com Verso

 

As metáforas e os poetas são como águas do mesmo rio, os dois convivem juntos tentando sempre pescar nas águas um do outro. O peixe que vem de lá é sempre melhor. Numa brincadeira infinita os dois se desafiam, dessa convivência de amor e caça, nasce a poesia.

Conversa de poetas

Ele: O Poeta não se apaixona por retas e curvas de um corpo, o poeta se apaixona pela alma.

Ela: Verdade, sei disso

Ele: Desejo conhecer a alma dessa poetisa

Ela: ....

Ele: Que rumo segue o barco da tua alma?

 Ela: Rumo das águas tranquilas.

Ele: Sou vento forte ... posso mudar o rumo do teu barco.

Ela: Ajusto minhas velas, sozinha.

Ele: Sábia comandante. As tempestades também são imprevisíveis.

Ela: Atravesso cada uma e sempre saio mais forte.

Ele: Tua inteligência aguça a tempestade...

Ela: Depois da tempestade sempre volta a calmaria.

Ele: Na calmaria a tempestade se fará um beija-flor em voo rasante a sugar o néctar mágico da flor no barco da esperança.

Ela: A esperança atrai o beija-flor e toda a magia da natureza que floresce em cada flor que um dia foi apenas semente.

Ele: Semente intensa e voraz em terra fértil com cheiro de chuva ...

Ela: Brota

Ele: Aos cuidados do jardineiro que deseja roubar um beijo da bela flor

Ela: A flor necessita do beijo do Sol.

Ele: Teu sorriso age como brisa forte no galho que acolhe o beija-flor e esse por sua vez, em voo rasante se faz Sol nas pétalas da bela flor... sugando todo o néctar de sabor único e mágico.

Ela: As flores precisam se proteger dos jardineiros desconhecidos, uns cuidam, outros fingem trabalhar, mas não as valorizam e se divertem desfolhando-as num passatempo sem nexo enquanto observam o roseiral.

Ele: Desculpe. Vamos aguardar a próxima estação.

Dueto: Cantopoético e Zezinha Lins

Publicado na categoria: Coluna da Zezinha
Sexta, 04 Dezembro 2020 19:42

AMOR CONCRETO AMOR

Quando senti meus pés na areia,

Brilhou você em minha frente,

O olhar saltou ao horizonte,

Vivi um instante reluzente.

 

O sol cintilava radiante,

Fitei o céu extasiado,

Senti sua alma, sua presença,

Cada momento ao meu lado,

 

De tanta emoção paralisei,

Foi quando ouvi aquele estalo,

Minha cabeça quase explodiu...

- Vai “trabaiá” seu abestado!!

 

- A obra já está atrasada, e você fica de bobeira,

- Hoje sua namorada, será essa betoneira!

 

Segui em frente, na labuta,

Com o pensamento em você,

Cada minuto que passava,

Queria ter você por perto,

Naquele dia descobri,

Quando mais tarde eu te vi,

Que trabalhando e te esperando,

O resultado e o abstrato,

Viraram concreto.

 

Publicado na categoria: Poesia
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