Waulena d'Oliveira

 

  

Num ano de tantas agruras, como nunca havia visto, esperava-se que o Natal chegasse trazendo esperanças...

O fim do ano chegou rápido ! Apesar das notícias sobre o vírus nefasto, as pessoas circulavam sem mostrar medo. As compras eram tímidas, porque esse fora um ano de muita dificuldade financeira para muita gente...

Não se via as costumeiras reuniões nos bares, no final do expediente, ou a troca de presentes dos ‘Amigos Ocultos’ . Não se via janelas iluminadas, não se via árvores acesas nas casas. Não deveria haver grandes reuniões este ano  -  a aglomeração de pessoas era um risco !

Que ano !!

Assim correram os dias, numa expectativa diferente dos outros Natais.

Achou melhor colocar alguns enfeites pela casa. Uma tímida árvore armou – apenas para lembrar que era Natal ... Conseguiu comprar alguns poucos presentes, apesar da incerteza se poderia entregá-los... Separou as velhas canções e tentava encher o ar com as memórias de todos os Natais. Mas as memórias pareciam cansadas e apagadas  -  o tempo parecia tê-las levado para tão longe !...

O fim do ano chegou rápido !  O fim de um ano vazio de histórias, cheio de preocupações stressantes, de medo, de condolências, de adeus... Mas a vida exige que se vá em frente, quase nos impõe a necessidade de acreditar nos amanhãs. Apesar de tudo ...

Este ano não haveria festa. Alguém partiu. Alguém está distante. Não havia motivos para ceia – não haveria ninguém mais à volta da mesa. Apenas, talvez, as velhas melodias...

Este seria o ano em que o Natal não chegou ...

No entanto, enquanto olhava a vida lá fora, naquela noite silenciosa, de repente viu o seu reflexo no vidro da janela, enfeitado pelo reflexo das luzinhas piscando no tímido pinheiro – como se fossem suas as luzes, as cores, o brilho ...  E percebeu que era !

Entendeu que todas as festas, todas as memórias, todas as pessoas queridas, toda alegria estava dentro de si mesma !  Lembrou que o espírito do Natal sempre estivera no fundo de cada coração capaz de amar. Entendeu que sempre seria Natal...

 

 

 

                                                                                                                          Waulena d'Oliveira

 

 

Segunda, 27 Março 2017 18:36

Coluna da Waulena 02 - Tempo do Tédio

Era uma noite morna, dessas em que nada acontece.

No terraço os Deuses descansavam.

Mas as taças de hidromel largadas ao acaso, deixavam evidente o ânimo reinante.

Era o tédio . . .

Não havia mais nada interessante a fazer – a criação estava completa; não havia mais ninfetas pelos bosques para serem iludidas; não havia mais batalhas como antes – onde pudessem medir forças, ou suar um pouco ao lado de seus adoradores.

Nem adoradores havia mais, depois que os templos ruíram !

Era o tédio . . .

Zeus resmungava na amurada, sobre  quando  podia  fulminar alguém que o desafiasse  –  agora nem acreditavam na existência dele !...

Dioniso dormia largado num canto, preferindo seus sonhos de festivais e glórias etílicas.

Atenas era só desilusão !  Sabedoria está fora de moda – não se preocupam nem em saber falar o próprio idioma !

Afrodite nem olhava mais no seu espelho, já que não havia com quem se comparar –

não na era do silicone e butox . . .

Era o tédio . . .

Mas antes do furacão há sempre um silêncio sinistro.

E o marasmo naquele terraço era sinistro –  como se crescesse uma surda vontade de desforra . . .

Foi então que o Senhor do Olimpo se debruçou na murada,

Olhando as ínfimas criaturas a viverem displicentes na superfície do Planeta.

No mesmo instante aquela idéia divina percorreu o semblante de todos os Deuses – até com algum sinal de malícia.

Os olhos brilharam como há muito tempo não acontecia.

E, debruçados na mureta, os Deuses começaram a lançar raios, faíscas,

sortilégios, encantamentos, divertindo-se com a reação dos homens atingidos por eventos inesperados, com suas vidas reviradas pelo avesso de repente.

Naquele terraço a alegria contagiou todos os Deuses, que riam como crianças levadas, como há séculos não faziam . . .

Os homens desconcertados, levantavam os olhos aos céus a indagar : “por que eu ?”...  E se desesperavam com suas vidas viradas de ponta-cabeça . . .

 

Desde então, quando percebem aquela sinistra quietude no céu, os homens se benzem a aguardam cautelosos.

É a hora do tédio . . . 

 

 

 

                                                            Waulena Oliveira

 

Segunda, 20 Março 2017 18:29

Coluna da Waulena 01 - Seguir em Frente

É com grande prazer que hoje dou início a esse novo espaço disponibilizado a nós, leitores e escritores, pela Casa da Poesia.

Agradeço aos Organizadores não só pela oportunidade, mas, principalmente, pelos seus esforços para tornarem a Casa da Poesia  um espaço especial e prazeiroso, que nos recebe com carinho e convida à reflexão e à diversão.

Muito honrada em inaugurar as  "Colunas" , tenho certeza de que todos desfrutaremos de excelentes momentos.

Então, já sabem : Colunas da Casa da Poesia. Um momento diário imperdível ! 

 

SEGUIR  EM FRENTE

 

Reflito que sou feita  de palavras e silêncios. As palavras me povoam quando estou só; os silêncios desabrocham quando não ...

E de que é feito o mundo ?  Será que da mesma matéria ?  Acho que não ...

Vejo luz e sombra; ódio e guerra; vento e pó; sentimentos rasos e vazios;  pressa e solidão; um belo sol na manhã e rostos cinzentos; um lindo mar azul e lágrimas à beira mar ...

Pra onde foi a beleza da vida ?  Onde os corações andam escondidos ?

Problemas e dores fazem parte da vida, mas a vida continua seu rumo à nossa volta;  ela segue sem se importar com mágoas, tristezas, amores  -  apenas segue ...

Dias de chuva são como tristeza.  Mas a chuva passa. E a tristeza ?... Se deixarmos, ela fica, se instala, se perpetua ...

Então reflito sobre o que nos deixa tristes. Saudade de algo que não aconteceu, de algo que passou, de alguém que se foi, de alguém que não veio ... Ou seja : passado. Porém, não fomos feitos para viver no passado !

Ficamos presos, a pessoas, a momentos, a histórias. Nos esquecemos de que nascemos sós, espíritos livres, destinados a caminhar, seguir ... 

A vida flui, assim está escrito. Deixar-se prender n'algum ponto do caminho é sabotar o próprio destino ! É não querer alcançar aquilo que se merece - porque aquilo que ficou para trás, não te pertence mais, não te está destinado, não pode mais te fazer feliz .

Somos o dia que nasce, o sol que brilha, o vento que sopra, a flor que desabrocha ... Somos o presente !! Podemos ser hoje o que quisermos ! Não precisamos ser chuva . . .
Então, quando a tristeza chegar, deixe-a verter algumas lágrimas - mas só algumas. Depois, seque os olhos, respire fundo e tome o seu dia pela mão e siga com ele. Não pense mais no que foi - isso não volta mais, mas você ... você tem um presente para viver ...

Então reflito que é hora de seguirmos. De sermos leves, imitarmos os beijaflores : independentemente do esforço, voar ...

Sermos feitos de vida ...

 

 

 

                                                                                 Waulena Oliveira

 

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