Aplicado o filtro por Data: Setembro 2020

Sexta, 30 Outubro 2020 18:02

Caminhos

 

Livre arbitre é interessante,
Faz o futuro intrigante.
Escolhi um caminho claro,
Sem muitas pedras, com pouco barro.

Andei como peregrino,
Dois mil quilômetros de destino.
Cheguei ao apogeu,
Ao lado do meu eu.

Cansei da caminhada,
Fui buscar outra estrada.
Escura de saída,
Mas pensei; isso é a vida!

Rasgou-me a tempestade,
Que vingou da minha vontade.
Granizo sobre a mente,
Vendaval do decorrente.

Para traz não há mais trilha,
Vim correndo da matilha,
Que se esgueira entre os montes,
Onde fel brotara em fontes.

Corri em meio a chuva,
Com a visão fechada e turva.
Cai em pedras duras,
Afundei em vans fissuras.

Enfadonha essa jornada,
Em frangalhos na chegada.
Coração recompensado,
Pois chegaste ao meu lado.

Lindo amor ali ficou,
Nossa vida ancorou.
E agora em nova estrada,
Chega outra encruzilhada...

E agora Max?

L'(Max)17.01.2006

 

Publicado na categoria: Poesia
Sexta, 30 Outubro 2020 17:05

Talvez...

 

 

 

 

Talvez,
Se eu agisse de acordo
com o que sinto e anseio
E não ficasse nessa busca desesperada,
para preencher espaços vazios.

Talvez eu encontrasse aquilo
que meu coração necessita.
Não! Não é desejo,
pois desejo é mero egoísmo,
é querer ter, é possuir.

O que eu quero é complemento.
É ver sem enxergar.
É sentir aquilo que carece em mim.
É entregar o que transborda.

Mas como?
Se eu não sou eu,
mas apenas uma imagem
falsa refletida no espelho.

Como procurar algo sólido,
se estou na superficialidade?
Como esperar o verdadeiro,
se a base é ilusão?

Como?
Quero a solidão.
A solidão de mim, para mim.
Quero a solidão que dói,
de tanto estar comigo mesmo.
Quero a solidão de lagarta,
que se fecha no casulo para renascer borboleta.

Quero toda a desilusão possível,
pois quero enxergar
como as coisas realmente são.
Quero me achar em mim,
pois me perdi, não sei aonde
e não me lembro quando.

Quero sentir meu coração batendo
em paz e feliz pelo simples pulsar.
Quero ser o motivo desta alegria,
pois o que esta fora pode mudar ,
pode acabar, mas o que esta dentro, é.

É e simplesmente é.
Não depende.
Apenas é.
Tem existência própria,
começa em si e termina em si.
Não é relativo.
Por não ser relativo não muda, simplesmente é.

Onde esta você que não consigo ver?
Onde você esta?
Que vislumbre tens agora?
Mudou sua direção?
Por que?
E vale a pena?

Onde esta você?
Onde esta seu centro?
O seu ponto de apoio?
O seu ponto de felicidade?
Esta dentro de você ou esta fora?
Esta como os comuns?
A manada que é conduzida sem ao menos saber para onde?

E a sua fortaleza?
Aonde esta?
Se perdeu pelo fascínio?
Nesse labirinto de espelhos e belezas virtuais?

Talvez,
Se eu me ouvisse e sentisse as minhas próprias vibrações.
E eu confiasse mais no que minha alma tenta mostrar a cada segundo.
Talvez e só talvez eu consiga me encontrar!


L'(Max)25/08/2003

 

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 25 Outubro 2020 15:11

*Florescer*

 

Ouço canções nas rádios,
E chego a tempo para tocar no lápis e no papel,
Bem antes do sono me dominar.

Penso em tudo aquilo que é possível falar.
Sei que não preciso sonorizar uma palavra sequer.
Calo-me.
Interiorizo-me.
O silêncio diz tantas coisas...
O pensamento ainda mais... 

Meu voo...

Escalo montanhas escarpadas.
E pouso.
Pouso onde tudo está neste momento.

De olhos fechados,
Vislumbro o que para tantos é irreal.
Louco.
Sobremaneira desvairado.

A mente – concordância e confirmação,
Sabe do florescer de Abril.
Constata o "outonar" das folhas secas.

Não há razões para "invernar"
Apesar da beleza da neve.
Ou do gelar em que ficam as minhas mãos.

Sigo "veraneando", no calor do astro rei.

A dor.
A flor.
O ardor.
O Criador...

Danço o bolero de Ravel,
Com a minha própria alma,
Ao embalo dos sons dos violinos.
Os pés tocando o mundo.
Leveza.
Compasso.

Em algum lugar além da razão, propriamente dita,
Todas as possibilidades são verossímeis.
Quem sabe isso possa ser... o Infinito!

Sei que adormeço.
Soletrando frases.
Fazendo o sonho acontecer,
Num misto de sorriso quieto,
De aceno de paz,
E de beijo escondido.

Beijo guardado,
Reservado,
Bem aqui,

Na palma da minha mão... 

Angela Lazzari

 (Ao primeiro dia do mês de Agosto de 2020).

Publicado na categoria: Poesia
Sexta, 23 Outubro 2020 00:54

Entre vinhos...

Entre as mais obscuras adegas,

Jaz aquela deleitosa rainha.

Fora deposta?

Fora esquecida?

Ou quiçá, fora apenas posta?

Olhei seu brilho em meio ao empoeiramento,

Na escuridão de tão fria e vasta alcova.

Prontamente fiz-me apaixonar,

De toda a sua história intentar.

Sonhei a época em que dançava ao sol,

Sorria incauta em orvalho sob a lua.

Amei-a por horas em segundos!

Aparei-a no colo e delicadamente

Removi todo o seu descaso...

Devolvi-lhe o antigo brilho...

Fiz abrir-se exalando tudo de sua alma...

Coloquei-a suavemente entre os lábios,

Trazendo à tona a sabedoria da introspecção.

Novamente, ameia por horas em segundos,

Observando seus segredos e sentindo sua paz.

Um gole!

E repete-se toda a egoísta ritualística.

Outro gole...

Ponho-me a descrever e desvendar,

Todos os mistérios de delírios.

Ela, nua...

Tomo-a toda!

Entorpecendo-me em tudo.

Por horas em segundos...

Ela se foi após muita persistência.

Resta-me o saudoso desejo,

De em minha língua seus nuances.

Amada...

 

                                               Cabernet!

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 19 Outubro 2020 23:48

Mais simples que o eu...

Que queres de mim sábio mestre?
Talvez as minhas certezas do que não sou.

Ou apenas gostaria que fosse
Minha aquela toda vontade.

Mas,
Seria minha essa vertente límpida,
Simplória e de textos claros?
Talvez apenas um reflexo das poesias de Quintana.

Bem,
Possibilidades não me faltam.
Desde a esquina de um labirinto,
Onde por vezes se avista a lua.
Até o dia com o mesmo barman,
No mesmo balcão,
Por trás a esplendida biblioteca de garrafas,
Fonte de nossa colorida erudição.

Sim,
Posso estar apenas querendo permear esse mundo,
Para que minhas letras sejam menos infames.
Tal qual todo aquele texto de Bukowski  que destilo,
Ah! Será só estilo?
Certamente!
Adoro rasgar as mazelas dos desamores,
Venero o cuspir das verdades dos dissabores.

Mas esse é o ser mais simples que o eu...
Lá e cá, brincando de me enganar.

Publicado na categoria: Poesia