Aplicado o filtro por Data: Fevereiro 2017

Segunda, 27 Março 2017 18:36

Coluna da Waulena 02 - Tempo do Tédio

Era uma noite morna, dessas em que nada acontece.

No terraço os Deuses descansavam.

Mas as taças de hidromel largadas ao acaso, deixavam evidente o ânimo reinante.

Era o tédio . . .

Não havia mais nada interessante a fazer – a criação estava completa; não havia mais ninfetas pelos bosques para serem iludidas; não havia mais batalhas como antes – onde pudessem medir forças, ou suar um pouco ao lado de seus adoradores.

Nem adoradores havia mais, depois que os templos ruíram !

Era o tédio . . .

Zeus resmungava na amurada, sobre  quando  podia  fulminar alguém que o desafiasse  –  agora nem acreditavam na existência dele !...

Dioniso dormia largado num canto, preferindo seus sonhos de festivais e glórias etílicas.

Atenas era só desilusão !  Sabedoria está fora de moda – não se preocupam nem em saber falar o próprio idioma !

Afrodite nem olhava mais no seu espelho, já que não havia com quem se comparar –

não na era do silicone e butox . . .

Era o tédio . . .

Mas antes do furacão há sempre um silêncio sinistro.

E o marasmo naquele terraço era sinistro –  como se crescesse uma surda vontade de desforra . . .

Foi então que o Senhor do Olimpo se debruçou na murada,

Olhando as ínfimas criaturas a viverem displicentes na superfície do Planeta.

No mesmo instante aquela idéia divina percorreu o semblante de todos os Deuses – até com algum sinal de malícia.

Os olhos brilharam como há muito tempo não acontecia.

E, debruçados na mureta, os Deuses começaram a lançar raios, faíscas,

sortilégios, encantamentos, divertindo-se com a reação dos homens atingidos por eventos inesperados, com suas vidas reviradas pelo avesso de repente.

Naquele terraço a alegria contagiou todos os Deuses, que riam como crianças levadas, como há séculos não faziam . . .

Os homens desconcertados, levantavam os olhos aos céus a indagar : “por que eu ?”...  E se desesperavam com suas vidas viradas de ponta-cabeça . . .

 

Desde então, quando percebem aquela sinistra quietude no céu, os homens se benzem a aguardam cautelosos.

É a hora do tédio . . . 

 

 

 

                                                            Waulena Oliveira

 

Publicado na categoria: Coluna da Waulena
Sábado, 25 Março 2017 23:49

É TIRO!

Finalmente chegou o dia da minha estreia como colunista neste espaço onde fico tão à vontade. Depois de leituras deliciosas e enriquecedoras durante a semana, resolvi brindar o nosso fim de semana com uma crônica narrativa. De forma leve e bem-humorada o enredo trata de um assunto sério: o medo da violência que faz muita gente tremer nas bases, e não é para menos diante da realidade que vivenciamos em nosso cotidiano. Vamos nos divertir um pouco, afinal, hoje é sábado!

É tiro!

 

 

Um tiro ecoou no escuro! Acordei assustado deixando no esquecimento a morena com quem dançava numa festa qualquer (afinal, sonho é sonho, o que importa é a morena e não os detalhes da festa). Ouvi sim um barulho forte, e certamente foi um tiro, como aqueles do tiroteio no assalto ao banco que vi ontem na TV antes de dormir. No auge dos meus 16 anos, nunca me vi tão indeciso: não sabia se me escondia debaixo da cama ou dentro do armário. Que vergonha era minha cara e minha tremedeira nas pernas! Ainda bem que eu estava sozinho. Que nada, eu não queria estar sozinho! Meu pensamento gritou o mais alto possível: Eu quero minha mãe!

Foi então que percebi que não deveria ter me recusado a visitar a tia Zilda junto com meus pais em Coité do Nóia lá em Alagoas. Como será que se chama quem nasce em Coité do Nóia? Só pode ser coiteense ou noiado. Pronto, o mundo acabou de ser destruído com um tiro e eu debaixo da cama procurando um adjetivo pátrio para nativos que estavam fora da zona de perigo.

Agucei os ouvidos. Silêncio total. Alguém morreu? Cadê a polícia? Ninguém vai socorrer o defunto? Pensando bem, não faz muita diferença, já morreu mesmo! E se o bandido resolver se esconder justamente aqui? E se fizer de mim, refém? Não! Preciso sair daqui! Sair pela porta de trás que vai dá de frente com a porta da cozinha da casa da Jandira, mulher madura, viúva e abundantemente bonita que toma sol na varanda todos os dias das 8: 15 às 9h em ponto. Necessito do socorro da Jandira! Afinal, tem um bandido prestes a entrar aqui! É justo!

Abri a porta do quarto, tudo escuro. Claro, não acendi a luz, chamaria a atenção do bandido. Caminhando de lado encostado na parede, cheguei na cozinha, liguei a lanterna do celular e vi...

Um copo estraçalhado no chão e meu gato siamês mais assustado do que eu.

Junto com os cacos de vidros foram para o lixo uma grande oportunidade de ser acolhido e protegido pela Jandira.

 

Zezinha Lins

Publicado na categoria: Coluna da Zezinha
Sexta, 24 Março 2017 23:46

Coluna da Maria Luiza 01 - O SÁBIO.

Hoje é sexta-feira!
Feliz por estar aqui compartilhando o espaço criado pela Casa da Poesia, com talentos que se tornam amigos.
Gratidão!

 

Legados do Cotidiano 1

 

O Sábio!

O tempo é um velho sábio sentado na porta.
Não tem pressa. Nada forja. Nada cobra, embora costumemos colocar-lhe culpas de cobrança.
Ele espera. Espera que um dia possamos entender que a hora, o minuto, o segundo é agora.
O tempo sabe disso. Hoje ele está de plantão mais uma vez para fazermos a nossa hora.
Ele não corre como dizem. Nós é que corremos. Fingimos fugir dele.
Lembro-me da expressão “estou correndo atrás do tempo” e ele rindo às gargalhadas, porque permanece sentado nos observando.
Sentado na porta da nossa consciência/vida, ele vai compassando nossos momentos.
Colocamos grossas lentes de camadas de civilização, que foram quase nos cegando, como aderindo à nossa pele Ligamos o piloto automático e jogamos a chave fora.
Mas afinal, o que mesmo o tempo quer nos ensinar nesta calmaria toda?
Mudemos de lente ora bolas! Fácil? Mas nem um pouco!
O despertar é que faz a diferença. Quando tomarmos coragem de olhar para ele com olhos de verdade e dizer: Sim, eu quero!
Quero aprender contigo Tempo. Quero respeitar minhas horas. Meus dias. Minhas realizações.
Quero servir: Hoje!
Fazer pacto com a Luz.
O tempo então vai sorrir. A mente se aquietará e de coisas “necessárias “ passaremos a ver coisas úteis. O que realmente nos faz únicos enquanto “todos um”.
Coisas inúteis costumam brigar com o tempo. E, nós teimosos permanecemos empacados. Aliás, por vezes nos tornamos robustos e práticos nisso porque vamos treinando a robustez do sobreviver, deixando para viver mais tarde.
Já coisas úteis alinham com o tempo. O que realmente é útil?
Conversemos com o velho sábio. Ele nos ajudará. Ele tem chaves que nem sonhamos e habita dentro de nós.
Ele espera todos os dias sentado, talvez até fumando um cachimbo para provar que não tem pressa.
O mestre Jean-Yves Leloup, tem uma frase que muito gosto:
. Nascemos para sermos conscientes, não apenas das coisas horríveis e magníficas, mas para conhecer em nós a Consciência da Consciência...

Bom dia! Podemos renascer sempre com ele, o tempo.

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza

Grato pela oportunidade que a Casa da Poesia oferece em mais este espaço, inauguro aqui dizendo o quanto estou contente. Digo também quanto vale a pena observar as simplicidades da vida; elas nos reservam, no dia a dia, boas surpresas... Basta compreender. Acredite!
O resto, bem, o resto ... vira história:

 

 “Lavar louças ajuda a reduzir o stress”

 

“Ben Eh! Já lavei as louças!"
Quando o Marido “lava louças” em casa, dizem algumas esposas “que é um ato de verdadeira declaração de amor”. Já os maridos, dizem algo diferente!
Explico:
Li uma Reportagem (1) que destaca a descoberta feita por alguns maridos (executivos e outros), que declaram que lavar louças em casa passou a ser um hábito. Afirmam, porém, que não pensavam ser uma declaração de amor, mas, uma distração para aliviar o “stress” do dia a dia... Mas as mulheres vão mais longe, sempre... É verdade! E é bom que elas pensem mais longe... A novidade é que alguns homens, "apesar de nunca terem feito isso na vida", (meu caso) descobriram que lavar louças é uma forma de aliviar o “stress” do dia a dia. Ajuda a relaxar. Ajuda a distrair: mudar o foco! Nem todos concordam! Mas, confesso que fiquei surpreso e descobri o quanto sou volúvel: Passei a lavar louças em casa!
Minha mulher adorou! Ficou contente com a novidade. E agora todo dia me pergunta como está o meu humor e se eu não quero relaxar um pouco,... na pia. Pode! Rsss.
É verdade que sempre se disse que é melhor lavar a "louça em casa do que na rua”. “Assim não dá briga sobre quem sujou primeiro...” O fato é que passei a pensar que pensando bem: "... realmente a louça se lava melhor em casa”. “E a prova disso vem da reportagem lida que diz que ainda evita “stress”.” Sem querer polemizar é fato que aprendi e passei a considerar que realmente é melhor lavar as louças de casa... Passei ainda a pensar na possibilidade dos dividendos, em casa, lógico!
Estatísticas mostram que quando se lava "louças em casa", "melhora tudo”, inclusive, o humor, da amada! Muitos já estão tão convencidos disso que já colocam um ímã na geladeira: "deixa que a pia é minha". Imagina!
Quando penso nisso, penso também que melhor ainda do que depois de aliviar o “stress” na pia, realmente, nada é melhor do que compreender a vida no dia a dia e “dormir em paz”...
“E de vez em quando,... de conchinha!”
Rsss.

Bom dia a todos!

ET: ... não vale usar “lava louças”.

 

Fonte: Revista Veja

23/03/2017

Publicado na categoria: Coluna do Lineu
Quarta, 22 Março 2017 23:33

Ruídos na Casa

Ruídos na casa: o miado do gato que mora no armário, o miado do gato brigão, o miado da gata rejeitada cinco vezes.

A sacodida do vento nas janelas, a notificação da rede social (qual delas?), a moeda que cai sozinha do balcão, o desejo de ser um espirito para me desestruturar e abalar todo meu ceticismo, porém penso: antes a casa vazia, do que uma reunião de ladrões.

Ladrões de paz, de coisas, de solidão.

É preciso amor próprio, estar apaixonada por si mesmo, caso contrário, não se janta sozinha, não se abre um Bordeaux francês, não saca uma rolha com dificuldade, desistindo e afundando para dentro da garrafa. Pouco importa, ela abriu.

Não há solidão, mas observação.

A voz interna é a cia do jantar, quando queremos calar, convidamos alguém.

E não, prefiro que não seja a voz de um moralista, nem de uma santa, eu prefiro as putas. As putas são puras.

As puras são putas. As putas têm a autoridade moral explícita, clara, apaixonada. A honestidade vem delas.

Fico atenta as puras. Bukowski tem razão.

Penso estar sozinha, mas Bukowski sempre me acompanha.
Chega a vez do estrondo do trovão, a luz caindo que afeta a sequência da playlist do Spotify, tocava algo dos anos 80.

Penso estar presa lá. Penso que meu pai adoraria toda essa tecnologia. Onde será que ele está?

Será que ele ainda existe em algum lugar?

Tenho inveja dos religiosos, uma fantasia sempre conforta o medo do “tudo acabar”.

Não possuo.

O templo, é minha carne.

Nele habitam poetas.

Habitam anônimos.

Habitam medos.

Habitam letras.

Depois dos barulhos, o silêncio da sintonia fina.

Os gatos parecem saber de algo que eu não sei, eles não contam e eu não sei interpretar o enigma.

É alguém do além? É uma mosca? É o vento? É o biscoito? Em uma questão de segundos, congelo o tempo.

É bom estar sem cheiro de cigarro, sem moveis entulhados, sem aproveitadores e hipócritas.

No passado quis estar aqui, e aqui cheguei, aqui estou.

Mais um gole de vinho e “o que é isso tudo?

Uma realidade paralela?

Ninguém imagina, no entanto, que a verdadeira mágica não acontece no que é visível, mas sim no invisível.

Invejo os gatos.

Eles sabem, Bukowski sabe e os ruídos contam.

 

Toalá Carolina

Publicado na categoria: Coluna da Toalá
Segunda, 20 Março 2017 18:29

Coluna da Waulena 01 - Seguir em Frente

É com grande prazer que hoje dou início a esse novo espaço disponibilizado a nós, leitores e escritores, pela Casa da Poesia.

Agradeço aos Organizadores não só pela oportunidade, mas, principalmente, pelos seus esforços para tornarem a Casa da Poesia  um espaço especial e prazeiroso, que nos recebe com carinho e convida à reflexão e à diversão.

Muito honrada em inaugurar as  "Colunas" , tenho certeza de que todos desfrutaremos de excelentes momentos.

Então, já sabem : Colunas da Casa da Poesia. Um momento diário imperdível ! 

 

SEGUIR  EM FRENTE

 

Reflito que sou feita  de palavras e silêncios. As palavras me povoam quando estou só; os silêncios desabrocham quando não ...

E de que é feito o mundo ?  Será que da mesma matéria ?  Acho que não ...

Vejo luz e sombra; ódio e guerra; vento e pó; sentimentos rasos e vazios;  pressa e solidão; um belo sol na manhã e rostos cinzentos; um lindo mar azul e lágrimas à beira mar ...

Pra onde foi a beleza da vida ?  Onde os corações andam escondidos ?

Problemas e dores fazem parte da vida, mas a vida continua seu rumo à nossa volta;  ela segue sem se importar com mágoas, tristezas, amores  -  apenas segue ...

Dias de chuva são como tristeza.  Mas a chuva passa. E a tristeza ?... Se deixarmos, ela fica, se instala, se perpetua ...

Então reflito sobre o que nos deixa tristes. Saudade de algo que não aconteceu, de algo que passou, de alguém que se foi, de alguém que não veio ... Ou seja : passado. Porém, não fomos feitos para viver no passado !

Ficamos presos, a pessoas, a momentos, a histórias. Nos esquecemos de que nascemos sós, espíritos livres, destinados a caminhar, seguir ... 

A vida flui, assim está escrito. Deixar-se prender n'algum ponto do caminho é sabotar o próprio destino ! É não querer alcançar aquilo que se merece - porque aquilo que ficou para trás, não te pertence mais, não te está destinado, não pode mais te fazer feliz .

Somos o dia que nasce, o sol que brilha, o vento que sopra, a flor que desabrocha ... Somos o presente !! Podemos ser hoje o que quisermos ! Não precisamos ser chuva . . .
Então, quando a tristeza chegar, deixe-a verter algumas lágrimas - mas só algumas. Depois, seque os olhos, respire fundo e tome o seu dia pela mão e siga com ele. Não pense mais no que foi - isso não volta mais, mas você ... você tem um presente para viver ...

Então reflito que é hora de seguirmos. De sermos leves, imitarmos os beijaflores : independentemente do esforço, voar ...

Sermos feitos de vida ...

 

 

 

                                                                                 Waulena Oliveira

 

Publicado na categoria: Coluna da Waulena