Aplicado o filtro por Data: Fevereiro 2022

Terça, 29 Março 2022 11:52

O dicionário é meu

O dicionário é meu!

Onomatopeia. Sinapse. Idiossincrasia. Biblioteca. Metáfora.

Palavras que nada tem em comum. São apenas algumas cuja fonética fazem música aos meus ouvidos. “Idiossincrasias” de quem ama letras e suas combinações.

Certa feita meu pai, apareceu com um dicionário. Falo UM DICIONÁRIO. Tempos em que redes e sites de pesquisa,  eram sonhos distantes, quiçá de alguns visionários.

Eu deveria estar entrando na puberdade à época. Creio que ele tenha se esforçado e muito para adquirir a tal “peça”. Além de cara, em nossa cidade, havia apenas uma livraria.

Ele, o pai, folheava o dicionário como quem cuidasse de uma obra de arte. As mãos acostumadas à faina rústica, naqueles momentos tornavam-se cuidadosas. As folhas do livro eram muito finas, tipo um papel de seda, para que o livro, mesmo grande, dessa conta de abrigar tantas palavras e seus significados.  Por vezes ele abria aleatoriamente e lia algumas palavras e seus sinônimos.  Fora do vocabulário do nosso cotidiano, soavam por vezes muito engraçadas.

O pai insistia que deveria ler algumas palavras diariamente. Eu já andava me enamorando de livros, letras, vocábulos!

As lembranças pipocam na memória repentinamente como materializando o dicionário à minha frente. A capa era linda. A memória me diz ser colorida. Por mais que procure uma imagem em bancos de imagem na Internet, não reconheço nenhum igual ao exemplar do pai. Memória afetiva deve querer me dizer ser único e não reproduzível. 

Meus dedos sentem a carícia da textura como se o tempo não tivesse passado e todos os verbos se conjugam apenas no presente.

A lembrança da seda do papel  me conduz à caminhos carinhosos na alma e a voz do meu pai ecoa saudade no meu coração. Partes do caminho atapetados e para os quais nem sempre temos sensibilidade de reconhecer e agradecer.

Fonética, letras e suas combinações!

Gratidão pelo “dom da escrita” e por todos os tapetes estendidos para o meu caminhar.

 

Maria Luiza Kuhn 29/03/2022

 

 

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza
Segunda, 14 Março 2022 21:58

MACROCOSMO

Vejo-me contrito ao buscar um tema...

A inspiração vagueia livre em meu éter

E minha metafísica pessoal fica a mister

Dum cósmico sombrio, agonia extrema.

 

Num espaço sidéreo palavras são astros

Onde corpos celestes navegam no vácuo

E a imaginação é um precipício inócuo,

É difícil reter termos semânticos castos.

 

Às vezes sinto-me perdido nessa abóbada

Que faz do meu âmago uma sutil pousada

Onde vivem eflúvios que vêm de alto mar...

 

Percebo meu íntimo como intensa galáxia

Que produz os remates em grande ortodoxia

Numa seara sensitiva nada donzela para criar!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

 

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 13 Março 2022 17:25

NATAÇÃO CÓSMICA

Minhas asas me fazem flutuar distante

E a mente depura o pensamento sem cansaço,

Do éter retiro o tempero com que traço

Redondilhas tingidas da sensibilidade dominante.

 

Há no espaço várzeas insondáveis do infinito

Que me apalpam a imaginação febril e contrita,

Diante de cada passo sorrio com a vista

Mergulhado num sonho do êxtase que conquisto.

 

Tudo é sensorial neste campo sutil e magnético,

O voo me envolve num estágio onde o teor estético

É moldura que retrata a criatividade artística...

 

No íntimo a fotografia é arrimo da contemplação

Que traz o maravilhoso perante o excitado coração

Já devorado pela beleza indelével da ótica metafísica!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 12 Março 2022 19:21

BAZAR DO DESTINO

Há sentidos meio sem sentidos

Nalgumas coisas que costumo ler...

Há muitos gostos sem gosto

Que me causam sérios desgostos

E que nem mesmo eu,

Apesar de ser eu,

Consigo meramente entender...

Há palavras apagadas, rasgadas,

Em muitos livros que são obscuras,

São escritas para driblar a censura

E suas semânticas ficam ocultas...

Há gestos indecifráveis, hieróglifos

Faciais que estão longe de ser

Compreendidos, são expressões

Subnutridas de significados, vazias,

E que se ligam mais à hipocrisia...

Há favores impensados, temperados

Sob a égide da ambição e do desejo

Que deixam rastros, deixam de ser

Segredos e se tornam fofocas indomáveis...

Há emoções abstratas em meio

A falsas sensações do lírico

Que extrapolam as conveniências,

Alimentam a verve das indecências

Para depois serem abandonadas no lixo...

Há momentos que não são momentos,

São estâncias de prazeres eventuais,

Domesticados por volúpias que não

São volúpias... são estereótipos da

Luxúria... Identidade apócrifa do sexo!

Há olhares que não são olhares,

São ótica da vagabundagem, do ilícito...

Há amores que não são amores,

São enciclopédias do interesse

E dão vazão ao escárnio e à podridão...

Mas há lances límpidos, cristalinos

Em suas sagas... São estes que, embora

Raquíticos em meio ao povo, à plebe,

Serão eles o apocalipse da vergonha,

A salvação da indigência, do infortúnio,

Que transformarão a face ainda impúbere,

Imatura que sobrevive à espera da esperança!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

Publicado na categoria: Poesia
Sexta, 11 Março 2022 18:49

Estudo

Estudo

Rasgo o verbo nas

palavras ocultas

do pensamento.

Descreve toda cena

diante do olhar alheio,

aos movimentos retilíneos uniformes.

O letramento é o sinônimo que existe

entre a prata e o ouro.

E ficará reservado no

espaço destinado as emoções.

A escrita é sequência do DNA

primitivo na primícia humana.

O verbo o sujeito a escolha

perfeita do predicativo.

A soma é transitória, o cosseno

invade as laterais algoritmia das palavras

jamais dita.

O caderno é quadriculado, pautado,

brochura ou espiral.

O quadro negro não tão negro.

Um jaleco branco, um fichário, uma caneta

o lápis exposto à mesa.

O verbo é o sinônimo da vida.

Vida em abundância.

MIF- 11/03/22

Publicado na categoria: Poesia
Terça, 01 Março 2022 17:46

ALMA DE POETA

A identidade do poeta é nômade...

 

O poeta habita cada coração que conquista

E seu nome passa a ser acervo do mundo...

 

Nos textos que escreve registra sua personalidade

Gravada nas entrelinhas da mensagem intrínseca

Que transmite às consciências que o leem...

 

O caráter de suas palavras passa de geração em geração

E mesmo que seu corpo físico já não mais exista,

Sua memória ganha ares de quem é artista...

Aí que reside a imortalidade da sua criação!

 

Peculiaridade do indivíduo que faz da arte cultura

E que arraiga admiração pelo intocável talento

Com que manuseia opiniões e transfere conhecimento...

Alma que se sensibiliza diante dos flagelos do universo

E que, não raro, ensina o amor através de seus versos!

 

 

De Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia