Aplicado o filtro por Data: Janeiro 2022

Segunda, 28 Fevereiro 2022 15:56

PSIQUISMO

Um homem vê sombras em derredor de si,

Mas ele está só, não há ninguém ao seu lado...

Será que este homem está alucinado?

Pode ser reflexo de sua imaginação, e daí?

 

A inconsciência é um álbum unilateral,

É a armazenagem dos sonhos reprimidos...

Utopia não necessita de antídotos,

Ou será a mente doentia que está mal?

 

Sua plataforma psíquica parece bipolar

E a inteligência não soa como um radar,

Por isso o onírico se rasga por ser plástico...

 

As sombras são suas próprias pegadas

Que ele deixa na areia marcadas

Para os pensamentos jorrarem intactos!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 28 Fevereiro 2022 11:59

CONSPIRAÇÃO

Vivo num tempo

Que equaciona meus passos

E me digere quantitativamente

Os ideais que guardo

Em absoluto silêncio.

 

Sobrevivo numa época

Que me fraciona os ensejos

E me engole taxativamente

Os pensamentos que arquiteto

Nos umbrais da consciência.

 

Respiro num período

Que se alimenta do meu ego

E me cospe absurdamente

Os objetivos que formulo

Na plataforma da memória.

 

Existo num espaço

Que me subtrai a inteligência

E me soterra alucinadamente

A produção que edifico

Nos arquétipos da mente.

 

Nutro-me numa alfândega

Que me rouba da inconsciência

Os frutos que diuturnamente

Evolo nas asas da imaginação

Para que na existência não seja objeto!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 27 Fevereiro 2022 18:35

POR QUE ESCREVO?

Escrever é a essência de minha alma.

 

Quem escreve transcreve sentimentos

E delata o funesto; idem, o maravilhoso.

 

Escrevo para fomentar as informações

Lúdicas e bélicas da vida e do universo.

Escrevo para dar ciência à inspiração

 

Que me assalta o espírito e me torna

Coadjuvante dos noticiários da existência.

O poeta é o jornalista maior de uma mídia

Que usa a linguagem para manifestar o ego.

 

A poesia instrumenta do lírico ao grotesco

Toda uma parafernália de sensações e álibis

Que o poeta transporta em sua caixa emotiva.

Escrevo porque a escrita me alimenta o senso,

É a vitamina que me traz a cobiça de ser feliz!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Quinta, 24 Fevereiro 2022 21:34

REINO INFANTIL

Fui criança,

Sou criança,

Criança serei,

Eternamente!

Lembro-me do pião,

Como rodava meu coração,

De alegria!

Recordo-me das pipas

Brincando nas nuvens,

Lá em riba!

Oh! Como o tempo

Levou embora meus folguedos

E tudo agora é outrora!

Revivo o pular de cordas,

O esconde-esconde,

O esconde a peia...

Hoje as horas parecem mortas,

Mas na memória ficou a horta

Onde plantávamos felicidade!

Brincar de médico...

Muitas vezes fui o doutor;

Noutras, o paciente!

Eu, aquele menino carente

E um coração repleto de amor!

Solto pelas campinas

Sem preocupar-me com rotinas

Que fazem da garotada de hoje

Indivíduos indiferentes,

Presos diante duma tela

Levando uma vida virtual...

Relembro dos terrenos baldios

Onde o balão de couro corria vadio

De pé em pé

E a festa terminava

Num contentamento de olé!

Os tempos mudaram...

Inocência virou malícia,

A droga tornou-se delícia,

A violência soterrou a ingenuidade...

Porém em minha mente

A imagem está sempre viva,

Minha infância não foi consumida

Pelos desajustes do progresso

E vou levando a existência adiante,

Deixando a criança que em mim

Nunca morreu

Jogar as bolas de gude,

Dormir abraçado a Morfeu

E sonhar... sonhar...

Porque a noite decola

E tenho de levantar cedo

Para ir à escola!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Segunda, 21 Fevereiro 2022 22:02

AFLIÇÃO

Perdi-me  numa  rua  sem  nome

Repleta  de  casas  pobres,  buracos  à  beça...

Pelas  calçadas,  cachorros  sujos  enfeitavam  o  ambiente

E  esgotos  a  céu  aberto  vitaminavam  a  respiração.

 

Tropecei  numa  calçada  quebrada  e  caí...

Para  meu  espanto,  ninguém  registrou  o  fato

E  fiz  de  um  muro  cheio  de  lodo,  meu  apoio...

Levantei-me  e,  atordoado,  tentei  desvendar  onde  estava...

 

Lugar  esquisito,  pessoas  estranhas  e  mal  vestidas

Eram  os  moradores  que  parecia  não  se  darem  conta  de  mim...

Para  eles,  eu  era  mais  um  transeunte  desconhecido

A  perambular  no  mutismo  de  mim  mesmo  e  do  destino...

 

Fui  caminhando,  caminhando...  Cheguei  a  uma  esquina  vazia

E  me  sentei  debaixo  de  uma  velha  marquise  e  chorei... chorei!

Como  fora  parar  ali?  Que  becos  da  vida  me trouxeram?

Um  rosto  inundado  em  lágrimas  compadeceu-se  de  minha  presença.

 

Não  sabe  onde  está?  Perguntou-me.  Notei  que  sofria  como  eu...

Morremos  e  certamente  prestamos  contas  dos  nossos  atos!

 

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

Publicado na categoria: Poesia
Domingo, 20 Fevereiro 2022 12:45

MUNDO CIGANO

Eis o desenrolar de um mundo encantador

Que atravessa séculos através das estradas

E deixa em seus rastros tradições vinculadas

À cultura de um povo de sabedoria e amor.

 

Universo em que abundância é a liberdade

Do ir e vir pelas veredas que marcam espaço

Em que a confraternização é sempre regaço

Que registra o câmbio de pura autenticidade.

 

Saias rodadas em colorido alegre e decente

É retrato das donzelas que dançam inocentes

Num rebolado astucioso do perfil feminino...

 

Colares multicores adornam belos pescoços,

Penteados que singram de magia os moços

Que enfeitiçados bebem na taça do aperitivo.

 

Indivíduos que sabem desvendar o destino

Pela leitura detalhada das linhas das mãos

Ou incorporando sapiência nas cartas do tarô...

 

Verdades absolutas não revelam desatinos

Ditadas pela alforria de jovens e de anciãos

Que espontâneos se dedicam a este labor.

 

Belos exemplares de uma raça que curte o sol

E se debruçam felizes sob os eclipses da lua...

Peregrinos da terra, vagueiam e se perpetuam

Indiferentes aos olhares atemporais do arrebol.

 

Marcha lenta... estalagens nos vales e campos,

Violões que sorriem melodias através do tempo,

Classe social desprotegida das leis e sem assento,

Mas que escreve sua história isenta de prantos!

 

 

 

De Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Sábado, 19 Fevereiro 2022 12:08

OBLÍQUOS

Já mostrou Oswald de Andrade

E o fez com toda propriedade:

Quem faz a língua é o povo,

Não vou aqui dizer de novo,

Mas apenas reforçar...

Me beija,

Me abraça,

Me fala,

Me diga,

Me dá,

Te amo...

Quer mais? Então...

Me leia sempre!

 

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Terça, 15 Fevereiro 2022 20:32

PRIMEIRA VEZ

Noite fria

Travesseiros úmidos

Corpos quentes

Pernas que tremem

Mãos que acariciam...

 

Gemidos: dor!

Delírios: amor!

 

Tez molhada

Boca orvalhada

Pelo beijo que silencia...

 

Sensações: húmus!

Pelos arrepiados

Sexo atordoado

Entre coxas macias...

 

O voo da gaivota

Membro que vai e volta

Alucinado!

 

Sussurros, mordidas!

Pela primeira vez na vida

Momentos frenéticos

Excitantes...

 

Mergulho fatal

No viço infinitesimal

Da volúpia extrema...

 

Sorriso que inflama

Dois corpos sobre a cama

Que navegam sobre a lama

Do orgasmo pleno!

 

As luzes se apagam

Os rostos se afagam

As línguas se tocam agradecidas

Por tudo o que se fez...

Está consumada

A primeira vez!

 

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
Terça, 15 Fevereiro 2022 10:54

O novo herege

Os Tribunais Populares têm sua origem na Era Mosaica, em que a prerrogativa para julgar era dada ao conselho dos anciãos que tinham como norte a teocracia. Entretanto, é no Direito romano que se deu a instituição do Júri como hoje a conhecemos.
 
No Brasil, a referência ao Júri se faz presente a partir da primeira Constituição Política do Império (1842), seguindo até a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
 
O Código de Processo Criminal do Império – CPCI, prescrevia que somente os cidadãos eleitores e POSSUIDORES DE BOM SENSO E PROBIDADE poderiam compor o rol de jurados do Tribunal Popular.
 
Já o art. 152 do Diploma Constitucional, estabeleceu que "os jurados pronunciam sobre o fato, os juízes aplicam a lei." Tal sistemática processual ainda vigora na legislação nacional.
 
A pergunta é: Em que momento tudo isso se perdeu?
 
Hoje, retrocedemos aos julgamentos bárbaros realizados em praças públicas, ainda que essa tal “praça” se consolide num ambiente virtual, o cancelamento ocupe o lugar da guilhotina e a perda da cabeça, a perda completa da reputação.
 
Quem julga? Quem prescreve a condenação? Por meio de quais princípios norteadores?
 
Não há mais como separar o banimento virtual da segregação objetiva/material. A desconfiança passa a ser a premissa de uma população amedrontada que, em pleno século 21, parece retroceder à idade média, em que crimes de heresia eram passiveis de morte.
 
Devemos lembrar que os conceitos de heresia e inquisição são inseparáveis e embora a "heresia fosse definida num campo ideológico, não implicando em crime de conduta", era veementemente perseguida pelos tribunais da Inquisição.
 
A heresia era um crime de consciência, um pensamento desviante do dogma oficial da Igreja. A palavra heresia, significa "escolha", portanto, na visão da Igreja quem "escolhe" é o Concílio de Trento e o Papa, sendo assim "o herege caminha perigosamente".
 
A PRUDÊNCIA É O ESCUDO E A DIALÉTICA, A ESPADA. _o aNTI-hERÓI_
Publicado na categoria: Coluna Filosófica
Domingo, 13 Fevereiro 2022 22:09

BRINCANDO COM OS COLETIVOS

Um exército de formigas invadiu meu acervo de ideias...

 

Edifiquei grandes projetos na colmeia do pensamento,

Mas uma turba de belicosos e atraentes passatempos

 

Levou-me a configurar uma prole de preguiçosos raciocínios

Que me tornaram escravo perante um enxame de horas perdidas

Num espaço onde uma multidão de insultos me xingavam...

 

Chorei diante de um bando de lágrimas desfiguradas

E me agarrei a uma antologia de esperanças ainda vivas

Que expuseram à minha face uma fauna de velhas cinzas

Para que eu as entregasse ao pelotão das reflexões desamparadas...

 

O tempo ingeriu-me cachos de ânimos bastante novos

E me vi seduzido por uma caravana de intensas forças

Que inspiraram a mim um glossário de lutas de aparências toscas,

Contudo vitaminadas por uma nuvem de imenso prazer

Que me fez herói de uma penca de atitudes exóticas para vencer!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Publicado na categoria: Poesia
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