Terça, 09 Novembro 2021 07:41

A poesia em tempos frenéticos - Uma reflexão sobre a leitura.

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               Será que nestes tempos tão frenéticos quando tudo acontece à velocidade da luz (ou da banda larga) e as informações voam, temos tempo para a poesia? Este ensaio não tem a pretensão de responder a esta pergunta de forma cabal, antes apresentar elementos para uma reflexão.
 
              Longe estão os tempos dos saraus nos quais as pessoas podiam sentar calmamente numa tarde qualquer para ler, recitar e ouvir poemas, pois isso não interferia em nada no cotidiano das pessoas e, ao contrário, o integrava.
 
              A questão do livro físico e sua permanência como instrumento de difusão cultural em oposição às informações transmitidas em velocidade pelas redes de internet e os livros virtuais (e-books) é uma discussão que não pode deixar de participar da discussão sobre a poesia moderna.
 
              Mas, voltando às origens, para nos ajudar a entender o fenômeno poesia – não analisando-a pela linguística ou gramática – todavia como integrador social, retornamos para os primórdios da leitura.
 
              Assim, podemos dizer de imediato que a leitura é o ato de decifrar sinais adotados por uma convenção linguística, com os quais o entendimento do que está escrito se produz.
 
              Para nós, neste momento a forma que importa, pelo senso comum, porém, é a leitura que implica em que se tenha um livro na mão ou algo que o valha, como uma revista, um jornal, um folheto.
 
              A existência de um livro, envolve para tal finalidade, todo um sistema econômico, no qual se possibilita inúmeras instâncias. O mercado livreiro faz a obra do autor passar por diversos processos desde a criação, a edição e a circulação até atingir o objetivo desejado: o leitor, ou melhor, a leitura.
 
              Isso porque, infelizmente, a nobre missão de produzir um livro para ser lido sofre degenerações por alguns “leitores” que querem possuí-los apenas como enfeite, como mais um bibelô entre os demais na prateleira da sala.
 
              Gabriel Zaid, poeta e ensaísta mexicano, em sua obra Livros demais: ler e publicar na era da internet. (Lisboa) disse que: “Ter à vista livros não lidos é como passar cheques sem cobertura: uma fraude perante os convidados”.
 
              Mas na minha visão, um tanto conservadora admito, não se faz possível abandonar o livro físico o qual guarda uma certa mística no seu manuseio, na sua textura, no seu cheiro característico, acessórios insubstituíveis da leitura.
 
              O ato de fechar o livro, com o indicador entre as folhas a fim de se guardar a página, recostar na poltrona e estender as pernas, olhar para o vazio como quem espera uma ilusionária interpretação vinda do éter para o que foi lido, ou apenas para degustar o produto da leitura colocando-se dentro da história, certamente, é uma cena familiar ao aficionado pela leitura.
 
              Mas gostaríamos de terminar falando, brevemente sobre a leitura silenciosa e a leitura falada (ouvida), pois estamos considerando que o livro existe, está nas mãos de um leitor e a indagação que fica não é sobre a maneira como foi obtido, mas como o leitor efetua a sua leitura.
 
              A “leitura silenciosa”, privilegia o olhar sobre as letras e a compreensão do que nelas vem escrito, e a outra, a “leitura falada”, que se iguala na sua compreensão, mas que tem a peculiaridade de privilegiar os olhos, a boca e o ouvido, pois que se lê em voz alta.
 

               A predominância de uma sobre a outra, é um assunto complexo e depende de fatores que só a História, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia podem explicar quanto falam sobre costumes.

               A poesia, em especial, a forma falada (ou ouvida) é bastante privilegiada (os recitais) tendo grande espaço, pois cada leitor empresta ao poema sua interpretação, fruto de suas experiências de vida, seu estado de espírito no momento e mesmo de suas expectativas pessoais para o futuro.

               A resposta fica com o leitor (que poderá ler sobre este assunto com mais complexidade no meu blog, nesta nossa Casa da Poesia) uma vez trazidos estes elementos, ainda que superficialmente, à consideração: e você, tem tempo para a poesia?

Lido 113 vezes Última modificação em Terça, 09 Novembro 2021 12:48
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2 comentários

  • Link do comentário Sergius Dizioli Terça, 09 Novembro 2021 12:52 públicado por Sergius Dizioli

    Grato, meu caro Luciano. Quero poder compartilhar a alegria que tenho com a leitura, sabendo que esta é uma forma de ajudar a fazer um país melhor. Espero estar à altura dos nobres colegas.

  • Link do comentário L'(Max) - Luciano Petricelli Terça, 09 Novembro 2021 12:07 públicado por L'(Max) - Luciano Petricelli

    Bem vindo às Colunas da Casa da Poesia!
    Estreando com a Maestria que lhe é...
    Abraços Fraternais

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