Aplicado o filtro por Data: Abril 2022

Domingo, 22 Mai 2022 14:05

LUDIBRIAR

 

 

Ludibriar

O cataclismo se anuncia. Destituído de pudor, disfarce ou carência.
Semeando com destino definido. Sem nenhum critério, desde que humanoide seja.
Inspira ser, respira. Espirra ser, espirra.
A terra pede arrego, sossego, e, agora chora, implora, ajoelha, pela árvore que derrubou,  pela flor que esmagou. 

Pelos motores exagerados e seu ronco desmedido, na corrida desenfreada pelo lucro.
Chora pelos mares intoxicados, pela ambição desmesurada.
Chora, ajoelha junto à terra, humanoide embolado no cataclismo, impotente, perdido no caos escurecido em dias de luz.
Cataclismo de tumultos seculares em brancos corredores, onde se acumulam corpos humanoides adoecidos, amortecidos, putrefatos.
Abre valas comuns e feridas profundas nos corações.
Morbidamente se instala por desprazer, continuamente a sangrar a fome de muitos, o ódio de tantos.

O desamor e o egoísmo cutuca de longe e vai chegando perto, ferindo a negação,  confirmando a aceitação, até que esmaga enfim, com dentes de dor
humilha a prepotência e morde, morde, morde!
Tritura os ossos podres de quem ainda se acha inatingível.
Pobre ser inatingível, super humanoide!
Apesar de humanoide!

 

Maria Luiza Kuhn

escrito durante a pandemia em 2020

Publicado na categoria: Coluna da Maria Luiza