Sábado, 08 Janeiro 2022 19:53

Coluna da Maria Luiza - Freud: Desculpe este sonho não é para você!

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Coluna da Maria Luiza - Freud: Desculpe este sonho não é para você! arquivo particular

 

 

 

Freud: desculpe este sonho não é para você!

 

O ruído de rodas friccionando o chão de corredores brancos e frios. Alguém me conduz deitada. Em seguida pede para me preparar com “looks” nada elegantes. Mais uma vez me conduzem. Sala excessivamente iluminada e baixa temperatura. Pessoas de branco circulando em murmúrios. Percebo que manuseiam gelados instrumentos. Evito a todo momento abrir os olhos. Ainda não fui sedada. Recordo o dia que me deitei numa sala deste tipo para abrirem  o meu peito e tocarem o meu coração com as mãos. Mãos abençoadas de quem sabe do ofício. Chamei aquele dia de renascimento. Não tive certeza que despertaria, mas sobrevivi.

Hoje a situação que me trouxera até esta sala era mais amena, mas necessária. Algo como pólipos endometriais ou algo assim. Requeria sedação profunda. Como portadora de prótese valvar os cuidados anestésicos são mais acurados, enfim sedada fiquei. Neste espaço-tempo quiseram os benfeitores universais me transportar por caminhos lindos, leves, floridos.

Confesso que desejei permanecer nestes lugares. As últimas lembranças do transe anestésico diziam de uma alegria infantil estar me acompanhando, uma alegria intraduzível.

Em sintonia, (esta alegria infantil e eu) viajamos num meio de transporte que era como um trem. A cada paisagem se descortinavam belezas e sentires que não pareciam ser deste mundo. Em dado momento da viagem num átimo, alguém me soprou: quando acordar pergunte quem da equipe que te cuida agora, está grávida.

Estava ali para curar meu órgão feminino mais sagrado. Onde gestei os três filhos que me coube trazer a este plano, ele, o útero, dera algum sinal de desregulamento. Coube a outra mulher, jovem médica retirar estas demasias de dentro de mim. 

Ainda em estado de letargia, percebi a médica ao meu lado perguntando se estava tudo bem. Contei-lhe do sonho assim que recuperei a consciência da anestesia dizendo precisar saber quem estava grávida, pois havia um recado. Sim, disse-me ela:  “estou grávida de uma menina. Soube neste final de semana que é Mariana”.

Entendi de pronto que Mariana gerada já fazia parte das  mulheres curandeiras. Viajou comigo de mãos dadas no sonho do sono da sedação, me alegrando, enquanto sua mãe cuidava de outra mãe.

Trouxe teu recado linda menina!

Ah! Os milagres, os mistérios. O invisível, o intangível!

Se assim não fosse, valeria à pena apenas experiência do visível neste plano?

Gratidão Dra. Talita.  Obrigada Mariana pela companhia alegre e linda.

Estou bem com a vossa benção e de todas as sagradas mãos femininas que me amparam!

 

 Por MARIA LUIZA KUHN/ Janeiro 2022

Lido 447 vezes Última modificação em Sábado, 08 Janeiro 2022 20:48
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