Sexta, 18 Dezembro 2020 19:11

Coluna da Maria Luiza 03/2020 Iguarias no Céu

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Coluna da Maria Luiza 03/2020

 

Iguarias no céu!

 

Hoje acordei em festa. Um tipo de festa que sempre foi banquete para a menina que habita em mim.

Muitas cucas (iguaria de origem alemã, típica entre os imigrantes no sul do Brasil) de diversos sabores e coberturas. Sucos, muitos sucos. Pães fresquinhos e café com leite.

Posso afirmar que se passava no interior do interior do sul do Brasil. Sequer havia energia  elétrica naquele lugar, quando eu era uma menina. Lembro das cantorias dos meus tios avós à luz do lampião, ou em noites claras, apenas iluminados pela luz da lua, naquela varanda aberta ao jardim cultivado cuidadosamente pela minha tia avó. Perfumado e colorido jardim.

O anoitecer juntava-se à noite, precocemente. Logo era hora de descansar, pois faina da roça começa ao clarear do dia.

As férias escolares, que em parte se davam neste lugar, preencheram minha alma de cantorias.

A festa em que acordei no sonho era na casa deles.

Todos lindos, arrumados e cheirosos nos preparávamos, para celebrar algum evento. Creio que o mais tradicional de todos, chamado festa de KERB. (uma festa da tradição dos imigrantes alemães no sul do país para congregar familiares ou comunidade, ao menos uma vez por ano)

A dona da casa (minha tia avó) estava linda e vestia branco. As filhas, todas coquetes na volta dela. O dono da casa, estava mais magro no meu sonho.

Minha mãe, estava a se arrumar. Uma blusinha branca de voal cheia de flores delicadas em bordado a faziam feliz.

Mas fazia frio outonal. Ela precisava de um casaquinho e era esse o nosso conflito. Meu e da minha irmã. Ela não se convencia, queria usar mesmo aquele (branco amarelado, a tirar a delicadeza da blusinha) e então eis que, como argumento nós a convencemos: Sua mãe não vai gostar mamãe!

Sabidamente minha avó, gostava de tudo muito branco, alvejado e engomado, se possível.

Então ao meio de todos os preparos, me dei conta de que nesta festa, teríamos imensos vazios à mesa, especialmente, minha mãe e minha tia que gostavam tanto destes encontros.

Chorei estes vazios, mas chorei tanto que as lágrimas foram limpando a visão e descobri neste lampejo que a festa era no céu. Todos em comunhão, pois os principais personagens já haviam mudado de plano.

Sorri, eu fora convidada no sonho para estar com eles. Para que chorar? Estava a celebrar como especial presença.

Acordei!

Sigo neste planeta com minhas doces lembranças cheias de cantorias.

 

By MLK 2020

Lido 78 vezes Última modificação em Segunda, 08 Fevereiro 2021 10:24
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