Terça, 24 Novembro 2020 09:09

*Olhar*

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Teu olhar é ímpar,
Indecifrável,
De uma cor que somete a alma consegue enxergar.

Nada se encontra em antigos alfarrábios que descreva toda essa meiguice,
Essa candura,
Tão latente e viva,
Que somente o silêncio, quando me olhas,
Conta-nos, em segredo, tantas histórias já vividas.

Deixa que seja assim.


O meu pouco é demasiadamente grande.


E dessas pequeninas coisas que o meu peito retém,
Quando aqui estás,
O valor é infinitamente supremo.

Dia e noite são apenas breves períodos,
Nos quais vivemos e nos atarefamos de tal maneira,
Que simples detalhes,
Se não observados,

Deixam passar o sublime no qual me agarro.

 

Teu olhar não é uma partícula distante.


É um colar colorido – e assim o faço, todos os dias.
E quando ando por aí, em minha distração, nada preciso procurar.
Nada preciso encontrar.

 

Teu olhar preenche os vasos das tristezas,
Clareia a mesa do café que arrumo todos os dias,
Faz-me acordar com o sabor do bom dia nos lábios.

 

Se o teu olhar assim me vê,
Com brandura e encantamento,
Nada mais vê do que o imenso afeto que existe dentro do teu.

 

Assim é o teu olhar.
Extrai de mim, tudo aquilo que sou.
Muito do que sinto.


E daquela menina que um dia fui,
Manterei viva a chama,
Que nunca se apagará,
Porque mantenho em mim, todos os dias,
A doçura do teu cândido olhar...

 

Angela Lazzari

(Aos vinte e cinco dias do mês de Fevereiro de 2020).

Lido 46 vezes Última modificação em Terça, 24 Novembro 2020 09:12

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