Terça, 28 Setembro 2021 06:21

Noturno 6.6

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Há dentro de mim, um universo de vidas e apenas uma visível
As demais, a quem nego que se manifestem, cada qual pensa
Irrefletidas muitas delas, algumas são políticas, outras cientistas
Difíceis de lidar eu sei, será mesmo que sei ou apenas acredito
Como desculpa de minhas falhas, haverá outro a quem culpar

Há dentro de mim essas tantas vidas, tão peculiares, tão iguais
Pouco de mim eu mesmo conheço, mas me quero, tão, lúcido
Estarei sendo duro demais? Outros, normalmente, são assim?
Ah, a quantos de mim renunciei pelo caminho, a cada desilusão
Em cada dia que o sol não brilhou ou a chuva caiu inclemente

Há dentro de mim, mil vidas que se recusam a desistir e lutam
Tantas vezes preferi não fosse minha a dor invasiva e latente
Seremos, em breve, sessenta e seis almas a tatear pelo futuro
Uma a cada vez que que o calendário gira doze folhas a mais
Chegarei a fazê-lo? Ora penso serão mais e ora penso que não

Há dentro de mim, um universo de vidas e apenas uma visível
E por essa é que hei de resistir entre tantas que têm tombado
Estes são dias duros em que temos que nos esquivar do medo
Sem abandona-lo, todavia, pois o inimigo invisível é implacável
Resistir e até ousar, mas sem abusar da confiança imprudente

Há dentro de mim, vidas e vidas quais não pretendem se calar
Por vezes já fui pássaro. Asas abertas e, como limite, só o céu
E o desconhecido era aquela flor exótica de fragrâncias raras
Camuflei minhas asas, mas ainda sei voar, há horizontes por aí
Há, ainda, espero, muitas estradas a percorrer, muitas paradas

Há dentro de mim, uma vida que enfim encontrou outra vida
Alegra-me não estar só quando o trem partir à última estação
Cada um de mim, enfim tomará seu lugar, sentados às janelas
Tudo se revelará ao longo dessa, que será a maior das viagens
Quando todos nos reconheceremos, cada um afinal é quem é

Lido 39 vezes Última modificação em Segunda, 22 Novembro 2021 08:46
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