Terça, 12 Outubro 2021 19:04

Desalento

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As noites vem e vão e eu permaneço semimorto em minha solidão
No céu de parcas estrelas incertas não antevê nenhuma chegada
O negrume vaticina que esta dor será a minha inefável companhia
A chuva exalta as ausências desta vida, qual uma tristeza líquida

Vejo o gris de falsas conjecturas se sobrepor às cores da realidade
Um oceano de impossibilidades que me separa de um outro destino
Invento um colo imaginário a me resgatar dos suplícios do degredo
Em qual silêncio meu coração dilacerado se fez pequeno e oprimido

Sob o jugo do carrasco que acorrentou min’alma antes indomada
Tornando o ruflar destas asas inquietas em negras raízes silentes
Ora roubando o verso que diz do meu amor em rimas tão tênues
Ora em brados enfurecidos onde só resta uma poesia cabisbaixa

A palavra cedeu ao amargo e o que outrora era árvore frondosa
Hoje é uma acha de lenha, cativa, atada a seus próprios enganos
Nesses gritos que rasgaram meu peito e não calam um só instante
Que resultam versos sem sentido, frases insanas, ferinas e cruéis

Nos porões do meu ser, minhas idiossincrasias definiram meus atos
De tantos desvarios e desencantos, de tantas lágrimas derramadas
Mais tantas outras omitidas, forjaram minha têmpera contra o mal
Mas cada resposta que recebo, é uma nova pergunta irrespondida

Sigo nesta alameda de tumbas onde jaz minha olvidada esperança
A qual, sonho eu, possa estar simplesmente adormecida e intocada
No crença que assim disperse os fragmentos de toda dor que vivi
Para se erguer em meio a um campo de trigo num outono a porvir

Queria acolher teu sorriso e te ofertar uma aurora que não tenho,
Mas que eu a esboço como se tivesse e não fosse apenas um sonho

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