Quinta, 03 Dezembro 2020 18:42

À Beira Mar...

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A noite caia sobre o cais,

Com sua cálida brisa de verão.

O resplandecer da lua nos vitrais,

Chispou o peito acendeu sua emoção.

 

Os olhos azuis brilhavam,

O desejo lhe empurrava.

Lembrou do quando caminhavam,

E da maré que os molhava.

 

Saiu no impulso e bateu a porta,

Fitou que o vazio não mais contorna.

Sentiu o vento e a saudade morta,

Em segundos tocava a na areia morna.

 

Extasiada de fronte as ondas,

Vislumbrando o branco da espuma.

Gritou ás estrelas – Não se escondas!

Correu para o mar sentindo a bruma.

 

Pensou; cá na água sou sereia,

Partirei tal qual Escuna.

Matarei o amor que me margeia,

Rogarei ao céu para que nos una.

 

Naquele lapso momentâneo,

Doou a vida e os seus planos.

Um arrepio subcutâneo,

Revelou os seus enganos.

 

A sordidez da arrebentação,

Levou-a de volta praia.

Cerrou  os punhos, pôs-se ao chão,

Contorceu-se em agonia como lacraia.

 

Como a tez úmida de seu rosto,

O gosto salobro de sua boca esvaiu-se.

Fez-lhe triste e o oposto,

Nauseando como louca, despiu-se.

 

Nua como as conchas ao seu lado,

Insegura, pois do mundo se perdeu.

Em desespero proferiu um brado,

E inesperadamente percebeu.

 

 

 

A noite caia sobre o cais,

Com sua cálida brisa de verão.

O resplandecer da lua nos vitrais,

Acordou-lhe de um sonho em vão.

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