Ivan de Melo

Ivan de Melo

Quinta, 02 Junho 2022 14:27

LUBRICIDADE

O prazer é uma tradução excelsa.

Voraz apetite me domina quando escrevo,

A satisfação não fica obscura, é cristalina...

No coito com a poesia, ejaculo sensibilidade.

 

No cabritismo com a leitura, desperto!

Uma languidez amorfa me entorpece os sentidos...

E viajo pelo canibalismo das palavras

Em busca das reações eróticas singulares

Que fazem das minhas emoções sexo artístico.

 

No desejo de transcender as sensações,

Busco invariavelmente uma libidinagem contextual

Em que me desponta uma criatividade virginal,

Dosada com temática da afrodisia.

 

É uma aventura que me deixa em êxtase...

No envolvimento com a literatura

Engravido os gêneros de forma tóxica

E me torno pai de contos, crônicas, novelas, romances...

É uma lascívia pura sem arrependimentos e traições.

 

Tanto a consciência como a inconsciência

Se debatem pelo orgasmo final do texto,

Pois a excitação é o produto notável dessa sensualidade

Que nada mais é que uma excentricidade cultural.

 

Não existem traumas, nem sofrimento, nem dor...

Trata-se de uma sexualidade híbrida,

De uma volúpia em que a atração é a palavra,

O enredo, a composição conjugal

Do matrimônio perfeito entre o artista e a arte

Donde o que se sobressai é o tesão de produzir o belo!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Domingo, 24 Abril 2022 22:09

ÉTICA

Instrumento abstrato da razão

Que é a moral e seus costumes,

Comportamentos não ficam imunes

À observação das normas de tradição.

 

Origina-se na Antiguidade grega,

Perpetua-se nos pensamentos filosóficos

De celebridades que abriram pórticos

À ejaculação que o saber humano congrega.

 

Imperativos categóricos de liberdade e dever

Pressupõem o equilíbrio que no haver

Distinguem a ética do que é político...

 

Do autocontrole entre a alma e o corpo

O que for do destino jamais estará morto,

Porque na moral não existe diagnóstico!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

Sábado, 16 Abril 2022 20:51

DEUSES

Somos discípulos dos deuses,

Somos deuses em formação

E carentes da essência divina

Que ainda nos subleva à dor...

 

Somos deuses em miniatura,

Ferindo-nos em vendavais,

Salpicando esperança nas ilhas,

Mas engolindo seco as injustiças...

 

Somos deuses de nós mesmos,

Conscientes da textura do ego

Que aprende a lapidar perfeição...

 

Somos deuses da grande Criação,

Coniventes com nossos desígnios,

Finitos perante o conhecimento!

 

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Segunda, 14 Março 2022 21:58

MACROCOSMO

Vejo-me contrito ao buscar um tema...

A inspiração vagueia livre em meu éter

E minha metafísica pessoal fica a mister

Dum cósmico sombrio, agonia extrema.

 

Num espaço sidéreo palavras são astros

Onde corpos celestes navegam no vácuo

E a imaginação é um precipício inócuo,

É difícil reter termos semânticos castos.

 

Às vezes sinto-me perdido nessa abóbada

Que faz do meu âmago uma sutil pousada

Onde vivem eflúvios que vêm de alto mar...

 

Percebo meu íntimo como intensa galáxia

Que produz os remates em grande ortodoxia

Numa seara sensitiva nada donzela para criar!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

 

Domingo, 13 Março 2022 17:25

NATAÇÃO CÓSMICA

Minhas asas me fazem flutuar distante

E a mente depura o pensamento sem cansaço,

Do éter retiro o tempero com que traço

Redondilhas tingidas da sensibilidade dominante.

 

Há no espaço várzeas insondáveis do infinito

Que me apalpam a imaginação febril e contrita,

Diante de cada passo sorrio com a vista

Mergulhado num sonho do êxtase que conquisto.

 

Tudo é sensorial neste campo sutil e magnético,

O voo me envolve num estágio onde o teor estético

É moldura que retrata a criatividade artística...

 

No íntimo a fotografia é arrimo da contemplação

Que traz o maravilhoso perante o excitado coração

Já devorado pela beleza indelével da ótica metafísica!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Sábado, 12 Março 2022 19:21

BAZAR DO DESTINO

Há sentidos meio sem sentidos

Nalgumas coisas que costumo ler...

Há muitos gostos sem gosto

Que me causam sérios desgostos

E que nem mesmo eu,

Apesar de ser eu,

Consigo meramente entender...

Há palavras apagadas, rasgadas,

Em muitos livros que são obscuras,

São escritas para driblar a censura

E suas semânticas ficam ocultas...

Há gestos indecifráveis, hieróglifos

Faciais que estão longe de ser

Compreendidos, são expressões

Subnutridas de significados, vazias,

E que se ligam mais à hipocrisia...

Há favores impensados, temperados

Sob a égide da ambição e do desejo

Que deixam rastros, deixam de ser

Segredos e se tornam fofocas indomáveis...

Há emoções abstratas em meio

A falsas sensações do lírico

Que extrapolam as conveniências,

Alimentam a verve das indecências

Para depois serem abandonadas no lixo...

Há momentos que não são momentos,

São estâncias de prazeres eventuais,

Domesticados por volúpias que não

São volúpias... são estereótipos da

Luxúria... Identidade apócrifa do sexo!

Há olhares que não são olhares,

São ótica da vagabundagem, do ilícito...

Há amores que não são amores,

São enciclopédias do interesse

E dão vazão ao escárnio e à podridão...

Mas há lances límpidos, cristalinos

Em suas sagas... São estes que, embora

Raquíticos em meio ao povo, à plebe,

Serão eles o apocalipse da vergonha,

A salvação da indigência, do infortúnio,

Que transformarão a face ainda impúbere,

Imatura que sobrevive à espera da esperança!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

 

Terça, 01 Março 2022 17:46

ALMA DE POETA

A identidade do poeta é nômade...

 

O poeta habita cada coração que conquista

E seu nome passa a ser acervo do mundo...

 

Nos textos que escreve registra sua personalidade

Gravada nas entrelinhas da mensagem intrínseca

Que transmite às consciências que o leem...

 

O caráter de suas palavras passa de geração em geração

E mesmo que seu corpo físico já não mais exista,

Sua memória ganha ares de quem é artista...

Aí que reside a imortalidade da sua criação!

 

Peculiaridade do indivíduo que faz da arte cultura

E que arraiga admiração pelo intocável talento

Com que manuseia opiniões e transfere conhecimento...

Alma que se sensibiliza diante dos flagelos do universo

E que, não raro, ensina o amor através de seus versos!

 

 

De Ivan de Oliveira Melo

Segunda, 28 Fevereiro 2022 15:56

PSIQUISMO

Um homem vê sombras em derredor de si,

Mas ele está só, não há ninguém ao seu lado...

Será que este homem está alucinado?

Pode ser reflexo de sua imaginação, e daí?

 

A inconsciência é um álbum unilateral,

É a armazenagem dos sonhos reprimidos...

Utopia não necessita de antídotos,

Ou será a mente doentia que está mal?

 

Sua plataforma psíquica parece bipolar

E a inteligência não soa como um radar,

Por isso o onírico se rasga por ser plástico...

 

As sombras são suas próprias pegadas

Que ele deixa na areia marcadas

Para os pensamentos jorrarem intactos!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Segunda, 28 Fevereiro 2022 11:59

CONSPIRAÇÃO

Vivo num tempo

Que equaciona meus passos

E me digere quantitativamente

Os ideais que guardo

Em absoluto silêncio.

 

Sobrevivo numa época

Que me fraciona os ensejos

E me engole taxativamente

Os pensamentos que arquiteto

Nos umbrais da consciência.

 

Respiro num período

Que se alimenta do meu ego

E me cospe absurdamente

Os objetivos que formulo

Na plataforma da memória.

 

Existo num espaço

Que me subtrai a inteligência

E me soterra alucinadamente

A produção que edifico

Nos arquétipos da mente.

 

Nutro-me numa alfândega

Que me rouba da inconsciência

Os frutos que diuturnamente

Evolo nas asas da imaginação

Para que na existência não seja objeto!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

Domingo, 27 Fevereiro 2022 18:35

POR QUE ESCREVO?

Escrever é a essência de minha alma.

 

Quem escreve transcreve sentimentos

E delata o funesto; idem, o maravilhoso.

 

Escrevo para fomentar as informações

Lúdicas e bélicas da vida e do universo.

Escrevo para dar ciência à inspiração

 

Que me assalta o espírito e me torna

Coadjuvante dos noticiários da existência.

O poeta é o jornalista maior de uma mídia

Que usa a linguagem para manifestar o ego.

 

A poesia instrumenta do lírico ao grotesco

Toda uma parafernália de sensações e álibis

Que o poeta transporta em sua caixa emotiva.

Escrevo porque a escrita me alimenta o senso,

É a vitamina que me traz a cobiça de ser feliz!

 

 

DE  Ivan de Oliveira Melo

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